Capítulo 53
Ao regente do côro com acompanhamentos de instrumentos de corda.
1Para instrução de Davi,
2quando vieram os zifeus, e disseram a Saul: Pois que não está Davi escondido na nossa terra? (1 Rs 23, 19; 26, 1.)[1]ZIFEUS — Foi composto por ocasião da traição dos zifeus 1 Rs 13, 19. Tem duas estrofes: a primeira é uma queixa; a segunda a confiança no Céu.
3Salva-me, ó Deus, em teu Nome: E com o teu poder julga a minha causa.
4Escuta, ó Deus, a minha oração: Percebe nos teus ouvidos as palavras da minha bôca.
5Porque os estranhos se têm levantado contra mim, e os fortes buscaram a minha alma: E não puseram a Deus diante de si.[2]PORQUE OS ESTRANHOS — Assim chama Saul, aos do seu partido, e aos zifeus, ainda que êstes eram da tribo de Judá, porque se portavam com êle sem humanidade alguma, como bárbaros, e totalmente estranhos. Sl 17, 4; 142, 3. Is 1, 7. Como a palavra hostis não significa outra coisa senão estrangeiro, forasteiro, os romanos mostravam a sua moderação em dar êste nome a um inimigo. Cicer. de Offic. Lib. I. — Pereira.
6Mas eis-aqui Deus me favorece: E o Senhor é o protetor da minha alma.
7Faze voltar os males sôbre os meus inimigos: E na tua verdade destrói-os.
8Eu te oferecerei um sacrifício voluntário, e louvarei o teu nome, Senhor: Porque é bom.
9Porquanto de tôda a tribulação me tens livrado: E os meus olhos olharam com desprêzo sôbre os meus inimigos.[3]OLHARAM COM DESPRÊZO — O hebreu e os Setenta têm expressões, que com tôda a propriedade significam "olhar para o que está debaixo, ou olhar para baixo, e com desprêzo;" e esta é a fôrça do verbo de que usa a Vulgata despexit: porque Davi confiado em Deus podia ver e olhar para seus inimigos sem os temer, e também se pode dizer que com desprêzo. — Pereira.