Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 100

Salmo didático. Davi na sua pessoa põe diante de todos os príncipes um espelho, em que devem ver-se para o govêrno dos seus estados.

1Salmo do mesmo Davi.
Eu te cantarei, a ti, Senhor, a tua misericórdia, e a tua justiça.
Direi salmos.[1]Deveres dum reiEstão exarados neste salmo os deveres dum rei, sob a forma de promessas. Parece que êste salmo foi composto no momento em que o Santo Rei concebeu o projeto de transportar a arca da casa de Obededom para Jerusalém. 2 Rs 6, 2 ss. Êste salmo é composto de dísticos.

2E me aplicarei a conhecer o caminho da inocência, quando vieres a mim.
Caminhava eu na inocência do meu coração, no meio da minha casa.

3Não punha diante dos meus olhos causa injusta: Aborrecia aos que faziam prevaricações.
Não se unia a mim.

4Coração depravado: Ao malicioso que se afastava de mim não o conhecia.

5Ao que secretamente dizia mal do seu próximo a êste perseguia.
Com homem de olhos soberbos, e de coração insaciável, com êsse não comia.

6Os meus olhos só olhavam para os fiéis do país para que se assentassem comigo: O que andava em caminho de inocência, êsse me servia.

7Não habitará no meio da minha casa o que obra com soberba: O que fala coisas iníquas não entrou direito na vista dos meus olhos.

8Pela manhã entregava à morte todos os pecadores da terra: A fim de exterminar da cidade do Senhor a todos os que obravam maldade.

Todos os Livros Santos têm sido objeto de profundos estudos; acerca de cada um tem-se escrito muito, mas nenhum tem sido estudado tão profundamente, e dado ocasião a maior número de importantes trabalhos, como o Livro dos Salmos. Sobem a mil e duzentos os comentários ao Saltério; e fàcilmente se percebe pela sua grande importância, e pelo lugar proeminente que ocupam estes cânticos na Sagrada Liturgia. O sacerdote repete-os quotidianamente; os fiéis recitam-nos frequentes vezes, sendo por isto a parte mais vulgarizada e mais conhecida da Sagrada Escritura. Ignora-se o nome com que os hebreus designavam a coleção dos Salmos. Modernamente na Bíblia hebraica aparecem sob a designação de Thehillim, que significa os louvores. Os Setenta é que deram a denominação de Salmos. Segundo o testemunho constante dos autores antigos, o número dos Salmos é de cento e cinquenta. A versão grega, reproduzida pela Vulgata, reúne os Salmos 9 e 10, 114 e 115 do hebreu; divide o Salmo 116 em dois. A tradição judaica divide os Salmos em cinco livros. Davi é, sem dúvida alguma, o principal autor desta coleção, em que se revela como o maior poeta lírico de Israel. São composição sua quase dois terços dos Salmos. Doze Salmos têm o nome de Asaf, mestre de música; outros onze são atribuídos aos filhos de Core. O assunto dos Salmos resume-se em duas palavras: Deus e o homem. Deus na sua Infinita Grandeza, Onipotência, Onisciência, Bondade e Justiça; e o homem na sua fraqueza, abatimento, misérias, infelicidades e carência absoluta de socorro do Criador. A versão da Vulgata participa das imperfeições dos Setenta, mas estas diferenças não afetam a doutrina neles contida, nem alteram o sentido moral que nos Salmos se encerra. Pelos Salmos aprendemos a rogar o socorro do céu em nossas aflições, alentando-nos a esperança na proteção do céu. Ensinam-nos a amar a Deus, e a amar o próximo pelo amor de Deus.
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