Capítulo 34
1Do mesmo Davi. Julga, Senhor, aos que me fazem dano, expugna aos que me combatem.[1]1 — DE DAVI — Foi escrito no tempo da perseguição a Saul. Davi implora a assistência de Deus contra os seus inimigos. Tem doze estrofes.
2Toma as tuas armas e o teu escudo: E levanta-te em meu socorro.
3Tira da espada, e conclui contra aquêles que me perseguem: Dize à minha alma: Eu sou a tua salvação.
4Sejam confundidos e envergonhados os que buscam a minha alma. Voltem atrás, e sejam confundidos os que meditam contra mim.
5Sejam feitos como o pó ante a face do vento: E o Anjo do Senhor os coarcte.
6Torne-se o seu caminho em trevas e escorregadio: E o Anjo do Senhor os persiga.[2]2 — TORNE-SE O SEU CAMINHO EM TREVAS — Nas suas emprêsas, e obras não tenham luz alguma, nem guia de bom conselho, nem firmeza sôbre que possam subsistir. E acrescenta Santo Agostinho: as trevas são ignorância, e o escorregadio a impureza; "vaticina que lhes aconteceriam êstes males". Tudo isto pontualmente sucede à infeliz nação, que com tanta perfídia condenou a morte Jesus Cristo. — P. Scio.
7Porquanto sem razão me esconderam o seu laço da morte: Sem causa encheram de opróbrios a minha alma.
8Venha sôbre êle um laço que ignora: E a rêde que escondeu o prenda a êle: E caia no mesmo laço que êle armou.
9Mas a minha alma regozijar-se-á no Senhor: E deleitar-se-á em seu Salvador.
10Todos os meus ossos dirão: Senhor, quem é semelhante a ti? Que livras ao desvalido das mãos dos mais fortes que êle: Ao necessitado e ao pobre dos que o roubam.
11Levantando-se testemunhos iníquos, coisas que não sabia me perguntavam.
12Tornavam-me a mim males por bens: Esterilidade à minha alma.
13Porém eu quando me eram molestos, me vestia de cilício. Humilhava a minha alma com o jejum: E a minha oração dava voltas no meu seio.[3]3 — DAVA VOLTAS NO MEU SEIO — Convertetur, por convertebatur, conforme se acha em alguns Saltérios antigos. Têrmo tomado da maneira de orar dos antigos, com a cabeça inclinada. Desta oração de Jesus Cristo fala altamente o Apóstolo. Ad Heb. 5. — P. Scio.
14Como a próximo, e como a irmão nosso assim lhe comprazia: Como um que traz luto e está em tristeza assim me humilhava.[4]4 — COMO A PRÓXIMO — No texto hebreu lê-se: "Como por meu companheiro, como por meu irmão andava, como o que chora a sua mãe, enlutado me encurvava." — Calmet.
15E se alegraram e contra mim se ajuntaram: amontoaram-se sôbre mim açoites, e não o sabia.[5]5 — AMONTOARAM-SE SÔBRE MIM AÇOITES — A palavra hebraica se pode trasladar flagela e flagelantes. Diz também o hebreu: "E no meu coxear se alegraram", isto é: quando me viram derribado e caído. — P. Scio.
16Foram dissipados, e não se arrependeram, tentaram-me, insultaram-me com escárnios: Rangeram sôbre mim os seus dentes.
17Senhor, quando tornarás a olhar-me? resgata a minha alma da malignidade dêles, dos leões a única minha.
18Glorificar-te-ei na Igreja grande, no meio do povo numeroso te louvarei.[6]6 — NO MEIO DO POVO NUMEROSO — O hebreu tem: "Entre um povo forte, etc." — P. Scio.
19Não se regozijem sôbre mim os que me são contrários injustamente: Os que me aborrecem sem causa e acenam com os olhos.[7]7 — E ACENAM COM OS OLHOS — O que pode entender-se de vários modos: ou manifestando no semblante o que não tem no coração, como explica Santo Agostinho, ou para zombarem de mim, acenando com os olhos, como maquinando-me a morte, ou outro mal, e comprazendo-se nisso mesmo com os movimentos e trejeitos dos olhos. — P. Scio.
20Porque na verdade me falavam com demonstrações de paz: Mas falando na comoção da terra, maquinavam enganos.[8]8 — NA COMOÇÃO DA TERRA — Esta expressão, que representa a terra como enfurecida, convém ao estado, em que se achavam os inimigos de Jesus Cristo, desde que se ajuntaram em Jerusalém para lhe dar a morte, caluniando-o como a "perturbador público". — Pereira.
21E alargaram sôbre mim a sua bôca: E disseram: Bem, bem, tem visto os nossos olhos.
22Tu o tens visto, Senhor, não cales: Senhor, não te apartes de mim.
23Levanta-te e atende ao meu juízo: Deus meu, e Senhor meu, na minha causa.
24Julga-me segundo a tua justiça, Senhor Deus meu, e não se alegrem sôbre mim.
25Não digam em seus corações: Ainda bem, ainda bem, para nossa alma: Nem digam: Nós o temos devorado.
26Fiquem envergonhados, e confundidos todos juntos, os que se congratulam dos meus males. Vestidos sejam de confusão e de vergonha os que falam com orgulho sôbre mim.
27Regozijem-se e alegrem-se os que querem a minha justiça: E digam sempre: Engrandecido seja o Senhor, os que querem a paz do seu servo.
28A minha língua publicará a tua justiça, todo o dia o teu louvor.[9]9 — PUBLICARÁ, ETC. — À letra: Meditará; se exercitará em louvor e exaltará a tua justiça. E se entende de Cristo quando ressuscitado falou com os seus Apóstolos "do reino de Deus". At 1, 3. — P. Scio.