Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 80

Salmo gratulatório. São convidados os fiéis a celebrar os dias festivos, instituídos para celebrar a memória dos benefícios que recebem de Deus. Ao regente do côro.

1Com a cítara de Get. Salmo do mesmo Asaf.[1]Cítara de GetCÍTARA DE GET (?) — Veja salmo 8. Êste salmo celebra a festa da Páscoa, e é por êste motivo que fala da saída do Egito. O salmista recorda a recompensa reservada aos que praticarem o bem. Tem três estrofes. Primeira (2-6). Exorta a celebrar a Páscoa com alegria. Na Segunda e Terceira introduz Deus a falar lembrando-lhes que recompensará os bons como castigou outrora os rebeldes no deserto.

2Regozijai-vos louvando a Deus nosso ajudador: Celebrai ao Deus de Jacó.

3Entoai o salmo, e tocai os tímbales: O saltério harmonioso com a cítara.

4Tocai a trombeta na Neomênia, no dia sinalado da vossa solenidade:[2]NeomêniaNEOMÊNIA — Dia sinalado — Lua nova. O dia da Páscoa. Alguns comentadores entendem a festa dos tabernáculos.

5Porque está mandado em Israel: E é estatuto em honra do Deus de Jacó.

6Ordenou-o por testemunho a José quando ouviu uma língua, que não entendia.[3]JoséJOSÉ — Está aqui por todo o Israel, porque a festa dos tabernáculos foi instituída em memória da saída do Egito, onde José tinha sido protetor de Israel. OUVIU UMA LÍNGUA QUE NÃO ENTENDIA — Segundo a maior parte dos intérpretes, o salmista quer dizer que os israelitas, depois da saída do Egito, ouviram a voz do Senhor que lhes falava do alto do Sinai por intermédio de Moisés, que lhes deu uma lei e lhes revelou verdades que êles não conheciam.

7Descarregou do pêso ao seu ombro: E as suas mãos que haviam servido de acarretar com cêsto.[4]Descarregou do pêsoDESCARREGOU DO PÊSO — O hebreu diz: Tirei na primeira pessoa, e na bôca de Deus, o que fêz o sentido mais unido, o mesmo tudo o que se segue até ao fim do salmo; e assim se deve suprir a palavra Deus, como pessoa que dá a ação a todos os verbos. — P. Scio.

8Na tribulação me invocaste, e te livrei: Eu te ouvi no escondido da tempestade: Fiz prova de ti junto à água da contradição.[5]A água da contradiçãoA ÁGUA DA CONTRADIÇÃO — Da contradição, ou Litígio: É versão do nome próprio Meribah, que se dá àquelas águas nos Núm 20, 13. O que sucedeu em Cades.

9Ouve, povo meu, e eu te declararei a minha vontade, Israel, se me ouvires,

10não haverá em ti Deus novo, nem adorarás Deus estranho.

11Porque eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito: Abre bem a tua bôca, e eu ta encherei.

12E não ouviu o meu povo a minha voz: E Israel não me atendeu.

13E os abandonei segundo os desejos do seu coração, êles irão caminhando atrás das invenções da sua fantasia.

14Se o meu povo me houvera ouvido: Se Israel tivera andado nos meus caminhos:

15Em nada teria eu sem dúvida humilhado a seus inimigos: E houvera descarregado a minha mão sôbre os que os atribulavam.

16Os inimigos do Senhor mentiram-lhe: E durará o tempo dêles por todos os séculos.

17E deu-lhes a comer da gordura do trigo: E os fartou de mel da pedra.

Todos os Livros Santos têm sido objeto de profundos estudos; acerca de cada um tem-se escrito muito, mas nenhum tem sido estudado tão profundamente, e dado ocasião a maior número de importantes trabalhos, como o Livro dos Salmos. Sobem a mil e duzentos os comentários ao Saltério; e fàcilmente se percebe pela sua grande importância, e pelo lugar proeminente que ocupam estes cânticos na Sagrada Liturgia. O sacerdote repete-os quotidianamente; os fiéis recitam-nos frequentes vezes, sendo por isto a parte mais vulgarizada e mais conhecida da Sagrada Escritura. Ignora-se o nome com que os hebreus designavam a coleção dos Salmos. Modernamente na Bíblia hebraica aparecem sob a designação de Thehillim, que significa os louvores. Os Setenta é que deram a denominação de Salmos. Segundo o testemunho constante dos autores antigos, o número dos Salmos é de cento e cinquenta. A versão grega, reproduzida pela Vulgata, reúne os Salmos 9 e 10, 114 e 115 do hebreu; divide o Salmo 116 em dois. A tradição judaica divide os Salmos em cinco livros. Davi é, sem dúvida alguma, o principal autor desta coleção, em que se revela como o maior poeta lírico de Israel. São composição sua quase dois terços dos Salmos. Doze Salmos têm o nome de Asaf, mestre de música; outros onze são atribuídos aos filhos de Core. O assunto dos Salmos resume-se em duas palavras: Deus e o homem. Deus na sua Infinita Grandeza, Onipotência, Onisciência, Bondade e Justiça; e o homem na sua fraqueza, abatimento, misérias, infelicidades e carência absoluta de socorro do Criador. A versão da Vulgata participa das imperfeições dos Setenta, mas estas diferenças não afetam a doutrina neles contida, nem alteram o sentido moral que nos Salmos se encerra. Pelos Salmos aprendemos a rogar o socorro do céu em nossas aflições, alentando-nos a esperança na proteção do céu. Ensinam-nos a amar a Deus, e a amar o próximo pelo amor de Deus.
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