Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 97

Salmo do louvor, e júbilo, pelas grandes vitórias, que alcançou das nações. Os Padres o reconhecem também profético da vinda de Cristo, e vocação dos gentios.

1Salmo do mesmo Davi.
Cantai ao Senhor um cântico novo: Porque êle fêz maravilhas.
A sua destra o livrou, e o seu braço santo.[1]Salmo do mesmo Davi / Maravilhas / Braço santo(1) Êste salmo tem muitas semelhanças com o 95, versa sôbre o mesmo assunto e tem a mesma forma. A versão siríaca diz que se refere à libertação de escravidão do Egito. Êste salmo, como os dois precedentes, prediz as maravilhas que o Messias deve operar no seu advento. Tem três estrofes: a 1.ª e 3.ª são idênticas às 1.ª e 5.ª do Sl 95; a 2.ª convida todos os povos a louvar a Deus ao som dos instrumentos de música. (2) PORQUE ÊLE FÊZ MARAVILHAS — Fêz Cristo inumeráveis milagres para acreditar mais e mais a sua missão e ofício do Redentor, e também a santidade da sua doutrina em benefício do homem. — Pereira. (3) E O SEU BRAÇO SANTO — É uma frase hebraica, e é êste o sentido: salvou-se com a sua Onipotência, porque Jesus Cristo pela sua própria virtude e poder se salvou da morte, e ressuscitou. Ou também: Êle só, sem precisar de socorro algum, salvou o mundo.

2O Senhor manifestou o seu Salvador: À vista das nações descobriu a sua justiça.

3Lembrou-se da sua misericórdia, e da sua verdade para com a casa de Israel.
Viram todos os limites da terra a salvação do nosso Deus.

4Celebrai a Deus tôda a terra: Cantai, e saltai de prazer e dizei salmos.

5Cantai salmos ao Senhor com cítara, e com voz de salmo:

6Com trombetas de metal, e som de corneta.
Regozijai-vos na presença do rei que é o Senhor:[2]TrombetasTROMBETAS — São provàvelmente as trombetas que Moisés mandou arranjar no deserto. Núm 10, 2.

7Mova-se o mar e quanto nêle há. A redondeza da terra, e os que habitam nela.

8Os rios mostraram aplauso, os montes juntamente se alegraram.

9À vista do Senhor: Porque veio a governar a terra.
Governará a redondeza da terra em justiça, e os povos em eqüidade:

Todos os Livros Santos têm sido objeto de profundos estudos; acerca de cada um tem-se escrito muito, mas nenhum tem sido estudado tão profundamente, e dado ocasião a maior número de importantes trabalhos, como o Livro dos Salmos. Sobem a mil e duzentos os comentários ao Saltério; e fàcilmente se percebe pela sua grande importância, e pelo lugar proeminente que ocupam estes cânticos na Sagrada Liturgia. O sacerdote repete-os quotidianamente; os fiéis recitam-nos frequentes vezes, sendo por isto a parte mais vulgarizada e mais conhecida da Sagrada Escritura. Ignora-se o nome com que os hebreus designavam a coleção dos Salmos. Modernamente na Bíblia hebraica aparecem sob a designação de Thehillim, que significa os louvores. Os Setenta é que deram a denominação de Salmos. Segundo o testemunho constante dos autores antigos, o número dos Salmos é de cento e cinquenta. A versão grega, reproduzida pela Vulgata, reúne os Salmos 9 e 10, 114 e 115 do hebreu; divide o Salmo 116 em dois. A tradição judaica divide os Salmos em cinco livros. Davi é, sem dúvida alguma, o principal autor desta coleção, em que se revela como o maior poeta lírico de Israel. São composição sua quase dois terços dos Salmos. Doze Salmos têm o nome de Asaf, mestre de música; outros onze são atribuídos aos filhos de Core. O assunto dos Salmos resume-se em duas palavras: Deus e o homem. Deus na sua Infinita Grandeza, Onipotência, Onisciência, Bondade e Justiça; e o homem na sua fraqueza, abatimento, misérias, infelicidades e carência absoluta de socorro do Criador. A versão da Vulgata participa das imperfeições dos Setenta, mas estas diferenças não afetam a doutrina neles contida, nem alteram o sentido moral que nos Salmos se encerra. Pelos Salmos aprendemos a rogar o socorro do céu em nossas aflições, alentando-nos a esperança na proteção do céu. Ensinam-nos a amar a Deus, e a amar o próximo pelo amor de Deus.
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