Capítulo 87
Cântico de salmo. Ao regente do côro.
1Dos filhos de Coré, sôbre Makhalath para cantar-se alternativamente, para entendimento de Eman ezraita.[1]Makhalath / Eman — MAKHALATH — Têrmo desconhecido, que alguns traduzem para uma doença. Vigouroux, Manuel Biblique. EMAN — Certamente é o autor do salmo. Sabe-se que Eman ou Heman era um dos principais músicos do templo, regente dos cantores, da família de Coré, do tempo de Davi. O sentido do salmo é claro; é uma prece dirigida a Deus, rogando a cura duma enfermidade, talvez a lepra, pelo que se lê no versículo 9. Tem cinco estrofes.
2Senhor Deus da minha salvação, de dia e de noite clamei diante de ti.
3Entre à tua presença a minha oração: Inclina o teu ouvido ao meu rogo:
4Porquanto a minha alma está repleta de males: E a minha vida está perto do sepulcro.
5Tenho sido contado com os que descem ao lago: Cheguei a ser como homem sem socorro,[2]Lago — LAGO — É sinónimo de sepultura.
6livre entre os mortos.
Assim como os feridos que dormem nos sepulcros, de quem jamais te não lembras: E êles são desamparados da tua mão.[3]Livre entre os mortos — LIVRE ENTRE OS MORTOS — Os Padres, o acomodam a Cristo, que só era livre entre os mortos, enquanto só êle tinha na sua mão o morrer, e o ressurgir. Potestatem habeo ponendi eam et potestatem habeo iterum sumendi eam. Jo 10, 18. — Bossuet.
7Puseram-me em um fôsso profundo. Em lugares tenebrosos, e na sombra da morte.[4]Puseram-me em um fôsso profundo — PUSERAM-ME EM UM FÔSSO PROFUNDO — Êste vers. 7, e o 15, e o 16, comparado com o 5, tem grande analogia com o que Jeremias, metido num lago, escrevia de si em pessoa de Cristo, Thren. III, 1, 2, 6, 7, 8, 17. — Bossuet.
8Sôbre mim descarregou o teu furor: E tôdas as tuas ondas fizeste vir sôbre mim.
9Alongaste de mim os meus conhecidos: Puseram-me como objeto da sua abominação.
Entregue fui, e não tinha saída:
10Os meus olhos desfaleceram de miséria.
A ti, Senhor, clamei todo o dia: Para ti estendi as minhas mãos.
11Porventura farás maravilhas com os mortos: Ou os médicos os ressuscitarão, e te darão a ti louvor?
12Acaso narrará algum na sepultura a tua misericórdia, e a tua verdade na perdição?
13Porventura serão conhecidas nas trevas as tuas maravilhas: E a tua justiça na terra do esquecimento?
14E eu a ti, Senhor, clamei: E pela manhã se antecipará diante de ti a minha oração.
15Por que rejeitas, Senhor, a minha oração, e apartas de mim a tua face?
16Eu sou pobre, e vivo em trabalhos desde a minha mocidade: E depois de exaltado fui humilhado, e conturbado.
17Por cima de mim passaram as tuas iras: E os teus terrores me conturbaram.
18Cercaram-me assim como água todo o dia: Cercaram-me juntos.
19Alongaste de mim ao amigo, e ao parente: E aos meus conhecidos por causa da minha miséria.