Capítulo 47
1Salmo. Cântico dos filhos de Coré no segundo dia da semana.[1]No segundo dia da semana — Estas palavras foram adicionadas pela Vulgata. Foi composto na libertação de Jerusalém depois da libertação de Facéias, rei de Israel, e Razin, rei da Síria. 4 Rs 16, 5. Tem cinco estrofes irregulares. Primeira (2-3) Glorifica o Senhor pela beleza da cidade santa. Segunda (4-8) Descreve ràpidamente o exército disperso, como uma nau despedaçada pela tempestade. Terceira (9) Compara os acontecimentos de então aos antigos milagres. Quarta (10-12) É uma ação de graças. Quinta (13-15) Descreve a fôrça de Jerusalém pela bondade de Deus.
2Grande é o Senhor, e muito digno de louvor na cidade de nosso Deus, no seu monte santo.
3Fundado é com júbilo de tôda a terra o monte de Sião, os lados do Aquilão, cidade do rei grande.[2]Fundado é com júbilo — Também isto pode convir ao restabelecimento do Templo no meio dos gritos de alegria, e júbilo de todo o povo. 1 Esdr 3, 2. O hebreu tem: "de formosa situação, gôzo de tôda a terra é o monte de Sião: os lados do Aquilão, a cidade do grande rei". A situação formosa não tanto convinha a Jerusalém pelas bênçãos temporais, pelas quais foi chamada a rainha do Oriente, quanto pelas espirituais da presença de Deus, do estabelecimento do seu culto, e a promessa de que nela havia de cumprir o Messias a obra de redenção, que havia de encher de inefável gôzo a tôda a terra. "Os lados do Aquilão": assim era chamada a parte setentrional da cidade de Jerusalém, onde estava o monte Moriá, e sôbre êle fabricado o Templo em frente do monte Sião, que estava para a parte do meio-dia. "A cidade do rei grande", que Deus tem escolhido para a fazer como côrte sua; aonde acudiu todo o seu povo a receber as suas ordens, e a oferecer-lhe sacrifícios e homenagens. — Calmet.
4Conhecido será Deus nas casas dela, quando houver de as proteger.
5Porque eis-aqui os reis da terra se congregaram: Se conjuraram unânimemente contra ela.
6Êles quando a viram se admiraram, se conturbaram, foram comovidos:
7Tremor se apoderou dêles. Ali sentiram dores como mulher que está de parto,
8com vento impetuoso quebrarás as naus de Tarsis.[3]Quebrarás as naus — Dissiparás todos os grandes aparatos, e armamentos dos homens contra a tua cidade. Naves Tharsis, eram aquelas naus grandes com que os de Tarso, e os fenícios costumavam fazer largas viagens por mar; e os hebreus aplicaram depois êste nome a todos os navios, ainda que fôssem de outra nação, que tinham o mesmo uso. Outros o dizem das naus do Mediterrâneo: e outros em geral do mar. Veja-se 3 Rs 10, 22. — P. Scio.
9Como o ouvimos, assim o vimos na cidade do Senhor das virtudes, na cidade do nosso Deus: Deus a fundou para sempre.
10Recebemos, ó Deus, a tua misericórdia: No meio do teu templo.
11Segundo o teu nome, ó Deus, assim também o teu louvor se estende até aos fins da terra: De justiça está cheia a tua destra.
12Alegre-se o monte de Sião, e regozijem-se as filhas de Judá, pelos teus juízos, Senhor.[4]As filhas de Judá — As cidades da tribo de Judá, chamadas filhas em atenção a Jerusalém que era a metrópole.
13Dai voltas a Sião, e considerai-a ao redor: Contai as torres dela.[5]Dai voltas a Sião — O hebreu tem: "Rodeai a Sião, e cercai-a: contai as suas tôrres." É uma representação poética, na qual o mundo é convidado a considerar a fôrça inexpugnável, e a magnificência da Igreja por virtude da presença de Deus: ao modo que aos forasteiros se mostram as singularidades e fortalezas de uma cidade, para que levem ao longe a notícia das suas excelências.
14Aplicai-vos a considerar a fôrça dela: E fazei resenha das suas casas, para que o conteis em outra geração.
15Porque êste é Deus, Deus nosso para sempre, e pelo século do século: Êle nos governará pelos séculos.