Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 139

Salmo deprecatório. Davi pede a Deus que o defenda dos enganos, e violências de seus inimigos, pois vive certo de que o Senhor toma por sua conta a defensa dos pobres e perseguidos.

1Ao regente do côro salmo de Davi.[1]Salmo de DaviFoi composto por Davi êste salmo, durante a perseguição de Absalão. Tem cinco estrofes.

2Livra-me, Senhor, do homem malvado: Livra-me do homem perverso.

3Os que maquinaram iniqüidades no coração: Todo o dia dispunham combates.

4Aguçaram as suas línguas como a de serpente: Veneno de áspides têm debaixo de seus lábios.

5Guardai-me, Senhor, da mão do pecador: E livrai-me de homens iníquos.
Os que cogitaram derribar os meus passos:[2]Derribar os meus passosO hebreu lê aqui, "armar-me sancadilha, atropelar-me". — Pereira.

6Êles soberbos me esconderam o laço:
E estenderam cordas para me surpreender: Junto do meu caminho me puseram tropêço.

7Eu disse ao Senhor: Tu és o meu Deus: Atende, Senhor, a voz da minha deprecação.

8Senhor, Senhor, que és a fortaleza da minha salvação: Tu puseste reparo sôbre a minha cabeça no dia da batalha:[3]Tu puseste reparoÀ letra: "fizeste sombra" como estendendo o braço, e cobrindo-me com um escudo. — Pereira.

9Não me entregues, Senhor, contra o meu desejo ao pecador, êles maquinaram contra mim, não me desampares, para que não suceda ficarem exaltados.

10A cabeça daqueles que me cercam: O trabalho dos seus lábios os envolverá.[4]A cabeçaTodo o manejo das suas traças, giros e rodeios. Outros referem o caput a Aquitofel, considerando-o como cabeça dos inimigos, e conjurados contra Davi. Outros vertem a palavra hebraica rosch, na significação de veneno, ou fel. O veneno, ódio e má vontade, que em seu coração conservam contra mim êstes que me cercam, recaia sôbre êles. Alusão de Doeg a Saul.

11Cairão sôbre êles carvões, ao fogo os arrojarás: Entre as misérias não subsistirão.

12O varão maldizente não prosperará na terra: Do varão injusto se apoderarão os males da morte.

13Sei que o Senhor fará o juízo do desvalido: E que vingará aos pobres.

14Mas contudo os justos darão glória ao teu Nome: E os retos habitarão em a tua presença.

Todos os Livros Santos têm sido objeto de profundos estudos; acerca de cada um tem-se escrito muito, mas nenhum tem sido estudado tão profundamente, e dado ocasião a maior número de importantes trabalhos, como o Livro dos Salmos. Sobem a mil e duzentos os comentários ao Saltério; e fàcilmente se percebe pela sua grande importância, e pelo lugar proeminente que ocupam estes cânticos na Sagrada Liturgia. O sacerdote repete-os quotidianamente; os fiéis recitam-nos frequentes vezes, sendo por isto a parte mais vulgarizada e mais conhecida da Sagrada Escritura. Ignora-se o nome com que os hebreus designavam a coleção dos Salmos. Modernamente na Bíblia hebraica aparecem sob a designação de Thehillim, que significa os louvores. Os Setenta é que deram a denominação de Salmos. Segundo o testemunho constante dos autores antigos, o número dos Salmos é de cento e cinquenta. A versão grega, reproduzida pela Vulgata, reúne os Salmos 9 e 10, 114 e 115 do hebreu; divide o Salmo 116 em dois. A tradição judaica divide os Salmos em cinco livros. Davi é, sem dúvida alguma, o principal autor desta coleção, em que se revela como o maior poeta lírico de Israel. São composição sua quase dois terços dos Salmos. Doze Salmos têm o nome de Asaf, mestre de música; outros onze são atribuídos aos filhos de Core. O assunto dos Salmos resume-se em duas palavras: Deus e o homem. Deus na sua Infinita Grandeza, Onipotência, Onisciência, Bondade e Justiça; e o homem na sua fraqueza, abatimento, misérias, infelicidades e carência absoluta de socorro do Criador. A versão da Vulgata participa das imperfeições dos Setenta, mas estas diferenças não afetam a doutrina neles contida, nem alteram o sentido moral que nos Salmos se encerra. Pelos Salmos aprendemos a rogar o socorro do céu em nossas aflições, alentando-nos a esperança na proteção do céu. Ensinam-nos a amar a Deus, e a amar o próximo pelo amor de Deus.
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