Capítulo 38
1Ao regente do côro, a Iditum, Cântico de Davi.[1]1 — IDITUM — Êste título indica que êste Salmo é dirigido a Iditum, nome próprio dum dos três chefes do côro do tempo de Davi. Êste Salmo foi naturalmente composto depois da revolta do Absalão. Tem quatro estrofes. A primeira descreve o abatimento em que se encontra Davi, aspirando debalde ao repouso, e prestes a cair na impaciência; na segunda expõe as suas queixas; na terceira e quarta Davi confia em Deus, e pede perdão de seus pecados. A idéia dominante em todo êste Salmo é o sentimento maior das coisas do mundo.
2Disse: Guardarei os meus caminhos: Para não delinqüir com a minha língua. Pus guarda à minha bôca, quando o pecador estava em frente contra mim.[2]2 — GUARDAREI OS MEUS CAMINHOS — Isto é: Velarei e terei cuidado sôbre tôdas as minhas ações, e palavras, para não cair em culpa alguma. | QUANDO O PECADOR ESTAVA — Quando Semei me saiu ao caminho para praguejar-me, e me ultrajar. 2 Rs 16, 5.6. — Pereira.
3Emudeci, e me humilhei, e nem ainda falei de coisas boas: E a minha dor se renovou.[3]3 — E NEM AINDA FALEI — Isto é, não proferi o que me era lícito dizer em defensa da minha inocência, queixando-me ao meu Deus, e implorando a sua justiça. Contive-me de dizer tudo o que pudera com tôda a justiça, por me não expor a dizer mais do que convinha, no movimento e calor da ira: e a violência com que me reprimi, para afogar o natural ressentimento, serviu para que se aumentasse, e fôsse mais viva a minha dor. — P. Scio.
4O meu coração se escandeceu dentro de mim: E na minha meditação se incenderá fogo.
5Falei com a minha língua: Faze-me conhecer, Senhor, o meu fim. E o número dos meus dias qual é: Para que eu saiba o que me resta.
6Eis-aqui puseste os meus dias em medida: E a minha subsistência é como nada diante de ti. Todavia é pura vaidade todo o homem que vive.
7Pois certamente o homem passa como em sombra: E assim em vão se conturba. Entesoura, e não sabe para quem ajunta aquelas coisas.
8E agora qual é a minha esperança? porventura não é o Senhor? pois em ti está a minha subsistência.[4]4 — E AGORA QUAL É A MINHA ESPERANÇA? — O hebreu tem: "E agora que esperança, Senhor? A minha esperança em ti está." Mas ainda que sei muito bem que a morte põe fim a meus males; isto não obstante não está aqui a minha verdadeira consolação, senão na tua graça e salvação. In ipso vivimus, movemur, et sumus. At 17. — P. Scio.
9Livra-me de tôdas as minhas iniqüidades: Tu me fizeste um objeto de opróbrio para o insensato.
10Emudeci, e não abri a minha bôca, porque tu o fizeste:
11Aparta de mim os teus flagelos.
12Debaixo da fôrça da tua mão eu desfaleci quando me repreendeste: Tu por causa da iniqüidade castigaste ao homem. E fizeste que a sua alma se consumisse como aranha: Certamente em vão se conturba todo o homem.
13Ouve, Senhor, a minha oração e a minha súplica: Recebe em teus ouvidos as minhas lágrimas. Não te cales: Porque adventício sou adiante de ti, e peregrino como todos os meus pais.
14Deixa que tome algum alento, antes que me vá, e não exista mais.[5]5 — DEIXA QUE TOME ALGUM ALENTO — Levanta a mão, e modera já o teu rigor, e a violência da minha aflição, para que possa acabar em paz, e com uma ditosa morte a carreira da minha vida.