Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 96

Salmo gratulatório. Mostra Davi o poder de Deus. A vaidade dos ídolos.

1O mesmo Davi.
Quando foi restabelecida a sua terra.
O Senhor reinou, regozije-se a terra: Alegrem-se as muitas ilhas.[1]O mesmo Davi / Restabelecida a sua terra / Ilhas(1) Como o antecedente, êste salmo não tem título no original. É o assunto do anterior. Tem quatro estrofes. (2) RESTABELECIDA A SUA TERRA — Estas palavras indicam a época em que Davi foi reconhecido rei por tôdas as tribos. (3) ILHAS — A palavra hebraica que a Vulgata traduziu por Ilhas, significa pròpriamente região longínqua, paragem afastada; sentido que convém perfeitamente a esta passagem.

2Nuvens e escuridão estão ao redor dêle: Justiça e juízo são a base do seu trono.[2]A base do seu tronoA BASE DO SEU TRONO — Onde a Vulgata diz: correctio sedis ejus, traz S. Jerônimo do hebreu: firmamentum solis ejus. — Bossuet.

3Fogo irá diante dêle, e abrasará ao redor os seus inimigos.

4Alumiaram os seus relâmpagos a redondeza da terra: Viu-os a terra, e foi abalada.

5Os montes como cêra se derreterão ante a face do Senhor: Diante do Senhor tôda a terra.

6Anunciaram os céus a sua justiça: E viram todos os povos a sua glória.

7Confundidos sejam todos os que adoram ídolos: E os que se gloriam nos seus simulacros.
Adorai ao Senhor todos os seus anjos:

8Ouviu-o, e alegrou-se Sião.
E regozijaram-se as filhas de Judá, pelos teus juízos, Senhor:

9Porque tu és o Senhor Altíssimo sôbre tôda a terra: Tu és em grande maneira exaltado sôbre todos os deuses.

10Os que amais ao Senhor, aborrecei o mal: Guarda o Senhor as almas dos seus santos, da mão do pecador os livrará.

11A luz é nascida para os justos, e a alegria para os retos de coração.

12Alegrai-vos, justos, no Senhor: E celebrai a memória da sua santidade.

Todos os Livros Santos têm sido objeto de profundos estudos; acerca de cada um tem-se escrito muito, mas nenhum tem sido estudado tão profundamente, e dado ocasião a maior número de importantes trabalhos, como o Livro dos Salmos. Sobem a mil e duzentos os comentários ao Saltério; e fàcilmente se percebe pela sua grande importância, e pelo lugar proeminente que ocupam estes cânticos na Sagrada Liturgia. O sacerdote repete-os quotidianamente; os fiéis recitam-nos frequentes vezes, sendo por isto a parte mais vulgarizada e mais conhecida da Sagrada Escritura. Ignora-se o nome com que os hebreus designavam a coleção dos Salmos. Modernamente na Bíblia hebraica aparecem sob a designação de Thehillim, que significa os louvores. Os Setenta é que deram a denominação de Salmos. Segundo o testemunho constante dos autores antigos, o número dos Salmos é de cento e cinquenta. A versão grega, reproduzida pela Vulgata, reúne os Salmos 9 e 10, 114 e 115 do hebreu; divide o Salmo 116 em dois. A tradição judaica divide os Salmos em cinco livros. Davi é, sem dúvida alguma, o principal autor desta coleção, em que se revela como o maior poeta lírico de Israel. São composição sua quase dois terços dos Salmos. Doze Salmos têm o nome de Asaf, mestre de música; outros onze são atribuídos aos filhos de Core. O assunto dos Salmos resume-se em duas palavras: Deus e o homem. Deus na sua Infinita Grandeza, Onipotência, Onisciência, Bondade e Justiça; e o homem na sua fraqueza, abatimento, misérias, infelicidades e carência absoluta de socorro do Criador. A versão da Vulgata participa das imperfeições dos Setenta, mas estas diferenças não afetam a doutrina neles contida, nem alteram o sentido moral que nos Salmos se encerra. Pelos Salmos aprendemos a rogar o socorro do céu em nossas aflições, alentando-nos a esperança na proteção do céu. Ensinam-nos a amar a Deus, e a amar o próximo pelo amor de Deus.
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