Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 137

Salmo gratulatório. Davi dá graças a Deus pelos benefícios recebidos da sua bondade, e diz que contará sempre com a divina assistência.

1Do mesmo Davi.
Eu te glorificarei a ti, Senhor, de todo o meu coração: Porque ouviste as palavras da minha bôca.
À vista dos anjos te cantarei salmos:[1]Do mesmo DaviÊste salmo tem por fim agradecer a Deus a promessa de fazer nascer o Messias no povo de Israel, e de assegurar a eternidade ao reinado Messiânico. 2 Rs 7; 1 Par 17. Tem três estrofes. Primeira (1-3). O salmista agradece a Deus a promessa. Segunda (4-6). Todos os reis da terra glorificarão ao Senhor quando ela se realizar. Terceira (7-8). A sua confiança no Senhor é ilimitada.

2Eu te adorarei no teu santo Templo, e glorificarei o teu nome.
Sôbre a tua misericórdia, e a tua verdade: Porque engrandeceste sôbre tudo o teu santo nome.[2]Engrandeceste o teu santo nomeEm vez de nomen sanctum tuum, está no original hebraico verbum tuum. Êste verbum é a promessa da perpetuidade da raça de Davi na pessoa do Messias. É certo, contudo, que com esta interpretação, que é de Vigouroux, não concorda Boulleret, que entende que se não deve restringir a significação do têrmo verbum.

3Em qualquer dia que te invocar, ouve-me: Tu aumentarás na minha alma a fortaleza.

4Louvem-te, Senhor, todos os reis da terra: Porque ouviram tôdas as palavras da tua bôca.

5E cantem nos caminhos do Senhor: Que a glória do Senhor é grande.

6Porque o Senhor é excelso, e olha para as coisas humildes: E conhece de longe as coisas altas.

7Se eu andar no meio da tribulação, me farás viver: E sôbre a ira dos meus inimigos estendeste a tua mão, e me salvou a tua direita.

8O Senhor retribuirá por mim: Senhor, a tua misericórdia é para sempre: Não desprezes as obras das tuas mãos.[3]RetribuiráOutros trasladam assim êste lugar: O Senhor tomará a minha defensa, responderá por mim, será meu fiador, conforme o hebreu: Obrará por mim. — Pereira.

Todos os Livros Santos têm sido objeto de profundos estudos; acerca de cada um tem-se escrito muito, mas nenhum tem sido estudado tão profundamente, e dado ocasião a maior número de importantes trabalhos, como o Livro dos Salmos. Sobem a mil e duzentos os comentários ao Saltério; e fàcilmente se percebe pela sua grande importância, e pelo lugar proeminente que ocupam estes cânticos na Sagrada Liturgia. O sacerdote repete-os quotidianamente; os fiéis recitam-nos frequentes vezes, sendo por isto a parte mais vulgarizada e mais conhecida da Sagrada Escritura. Ignora-se o nome com que os hebreus designavam a coleção dos Salmos. Modernamente na Bíblia hebraica aparecem sob a designação de Thehillim, que significa os louvores. Os Setenta é que deram a denominação de Salmos. Segundo o testemunho constante dos autores antigos, o número dos Salmos é de cento e cinquenta. A versão grega, reproduzida pela Vulgata, reúne os Salmos 9 e 10, 114 e 115 do hebreu; divide o Salmo 116 em dois. A tradição judaica divide os Salmos em cinco livros. Davi é, sem dúvida alguma, o principal autor desta coleção, em que se revela como o maior poeta lírico de Israel. São composição sua quase dois terços dos Salmos. Doze Salmos têm o nome de Asaf, mestre de música; outros onze são atribuídos aos filhos de Core. O assunto dos Salmos resume-se em duas palavras: Deus e o homem. Deus na sua Infinita Grandeza, Onipotência, Onisciência, Bondade e Justiça; e o homem na sua fraqueza, abatimento, misérias, infelicidades e carência absoluta de socorro do Criador. A versão da Vulgata participa das imperfeições dos Setenta, mas estas diferenças não afetam a doutrina neles contida, nem alteram o sentido moral que nos Salmos se encerra. Pelos Salmos aprendemos a rogar o socorro do céu em nossas aflições, alentando-nos a esperança na proteção do céu. Ensinam-nos a amar a Deus, e a amar o próximo pelo amor de Deus.
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