Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 134

Salmo gratulatório. Dão-se graças a Deus por haver escolhido a Israel por seu povo: e se demonstra a superstição e falsidade dos ídolos.

Aleluia.[1]AleluiaTem êste salmo seis estrofes. Primeira (1-4). Exortação a louvar a Deus. Segunda (5-7). Porque é o Senhor da natureza. Terceira (8-12). Que livrou o seu povo da escravidão do Egito e lhe deu a terra de Canaã. Quarta (13-14). É cheio de glória e salva o seu povo. Quinta (15-18). Enquanto que os deuses dos pagãos nada são. Sexta (19-21). Que todo o Israel louve o Eterno.

1Louvai o nome do Senhor, louvai, servos, ao Senhor.

2Vós que persistis na casa do Senhor, nos átrios da casa do nosso Deus.

3Louvai ao Senhor, porque o Senhor é bom: Cantai salmos ao seu nome, porque é suave.

4Porquanto o Senhor escolheu para si a Jacó: A Israel em possessão para si.

5Porque eu conheci que o Senhor é grande, e que o nosso Deus é sôbre todos os deuses.

6Quantas coisas quis, tôdas fêz o Senhor no céu, na terra, no mar, e em todos os abismos.

7Êle que faz subir as nuvens das extremidades da terra: Fêz os relâmpagos para a chuva.
Êle o que produz os ventos dos seus tesouros:

8O que feriu aos primogénitos do Egito desde o homem até ao animal.

9E enviou sinais, e prodígios no meio de ti, ó Egito: Contra Faraó, e contra todos os seus servos.

10O que feriu a muitas gentes: E matou a reis fortes:

11A Seon rei dos amorreus, e a Og rei de Basan, e a todos os reinos de Canaã.

12E deu a terra dêles em herança, por herança a Israel seu povo.

13Senhor, o teu nome subsistirá eternamente: Senhor, a memória da tua glória conservar-se-á em tôdas as gerações.

14Porque o Senhor julgará ao seu povo: E se deixará vencer dos rogos dos seus servos.[2]E se deixará vencerO hebreu diz: se arrependerá, converterá os efeitos de severidade nos de benignidade, clemência e misericórdia: modo de falar ao humano, que é mui frequente na Escritura. O deprecabitur da Vulgata se toma em sentido passivo, e é o mesmo que exorabitur: e assim o traslada S. Jerônimo: se fará aplacável com os seus servos. — P. Scio.

15Os simulacros das gentes não são mais que prata, e ouro, obras das mãos de homens.

16Bôca têm, e não falarão: Olhos têm e não verão.

17Ouvidos têm, e não ouvirão: Porque não há respiro na sua bôca.

18Sejam semelhantes a êles os que os fazem: E todos os que confiam nêles.

19Casa de Israel, bendizei ao Senhor: Casa de Aarão, bendizei ao Senhor.

20Casa de Levi, bendizei ao Senhor: Vós os que temeis ao Senhor, bendizei ao Senhor.

21Desde Sião se bendiga ao Senhor, que habita em Jerusalém.[3]Que habitaEm Sião estava o tabernáculo e a Arca da aliança, de onde se manifestava o Senhor ao seu povo, e protegia com especialíssimos prodígios e privilégios a Jerusalém, como se nela estivera o trono da sua misericórdia. No hebreu se acrescenta no fim: Halelu iah, que na Vulgata vem no princípio do seguinte salmo. — Pereira.

Todos os Livros Santos têm sido objeto de profundos estudos; acerca de cada um tem-se escrito muito, mas nenhum tem sido estudado tão profundamente, e dado ocasião a maior número de importantes trabalhos, como o Livro dos Salmos. Sobem a mil e duzentos os comentários ao Saltério; e fàcilmente se percebe pela sua grande importância, e pelo lugar proeminente que ocupam estes cânticos na Sagrada Liturgia. O sacerdote repete-os quotidianamente; os fiéis recitam-nos frequentes vezes, sendo por isto a parte mais vulgarizada e mais conhecida da Sagrada Escritura. Ignora-se o nome com que os hebreus designavam a coleção dos Salmos. Modernamente na Bíblia hebraica aparecem sob a designação de Thehillim, que significa os louvores. Os Setenta é que deram a denominação de Salmos. Segundo o testemunho constante dos autores antigos, o número dos Salmos é de cento e cinquenta. A versão grega, reproduzida pela Vulgata, reúne os Salmos 9 e 10, 114 e 115 do hebreu; divide o Salmo 116 em dois. A tradição judaica divide os Salmos em cinco livros. Davi é, sem dúvida alguma, o principal autor desta coleção, em que se revela como o maior poeta lírico de Israel. São composição sua quase dois terços dos Salmos. Doze Salmos têm o nome de Asaf, mestre de música; outros onze são atribuídos aos filhos de Core. O assunto dos Salmos resume-se em duas palavras: Deus e o homem. Deus na sua Infinita Grandeza, Onipotência, Onisciência, Bondade e Justiça; e o homem na sua fraqueza, abatimento, misérias, infelicidades e carência absoluta de socorro do Criador. A versão da Vulgata participa das imperfeições dos Setenta, mas estas diferenças não afetam a doutrina neles contida, nem alteram o sentido moral que nos Salmos se encerra. Pelos Salmos aprendemos a rogar o socorro do céu em nossas aflições, alentando-nos a esperança na proteção do céu. Ensinam-nos a amar a Deus, e a amar o próximo pelo amor de Deus.
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