Capítulo 134
Aleluia.[1]Aleluia — Tem êste salmo seis estrofes. Primeira (1-4). Exortação a louvar a Deus. Segunda (5-7). Porque é o Senhor da natureza. Terceira (8-12). Que livrou o seu povo da escravidão do Egito e lhe deu a terra de Canaã. Quarta (13-14). É cheio de glória e salva o seu povo. Quinta (15-18). Enquanto que os deuses dos pagãos nada são. Sexta (19-21). Que todo o Israel louve o Eterno.
1Louvai o nome do Senhor, louvai, servos, ao Senhor.
2Vós que persistis na casa do Senhor, nos átrios da casa do nosso Deus.
3Louvai ao Senhor, porque o Senhor é bom: Cantai salmos ao seu nome, porque é suave.
4Porquanto o Senhor escolheu para si a Jacó: A Israel em possessão para si.
5Porque eu conheci que o Senhor é grande, e que o nosso Deus é sôbre todos os deuses.
6Quantas coisas quis, tôdas fêz o Senhor no céu, na terra, no mar, e em todos os abismos.
7Êle que faz subir as nuvens das extremidades da terra: Fêz os relâmpagos para a chuva.
Êle o que produz os ventos dos seus tesouros:
8O que feriu aos primogénitos do Egito desde o homem até ao animal.
9E enviou sinais, e prodígios no meio de ti, ó Egito: Contra Faraó, e contra todos os seus servos.
10O que feriu a muitas gentes: E matou a reis fortes:
11A Seon rei dos amorreus, e a Og rei de Basan, e a todos os reinos de Canaã.
12E deu a terra dêles em herança, por herança a Israel seu povo.
13Senhor, o teu nome subsistirá eternamente: Senhor, a memória da tua glória conservar-se-á em tôdas as gerações.
14Porque o Senhor julgará ao seu povo: E se deixará vencer dos rogos dos seus servos.[2]E se deixará vencer — O hebreu diz: se arrependerá, converterá os efeitos de severidade nos de benignidade, clemência e misericórdia: modo de falar ao humano, que é mui frequente na Escritura. O deprecabitur da Vulgata se toma em sentido passivo, e é o mesmo que exorabitur: e assim o traslada S. Jerônimo: se fará aplacável com os seus servos. — P. Scio.
15Os simulacros das gentes não são mais que prata, e ouro, obras das mãos de homens.
16Bôca têm, e não falarão: Olhos têm e não verão.
17Ouvidos têm, e não ouvirão: Porque não há respiro na sua bôca.
18Sejam semelhantes a êles os que os fazem: E todos os que confiam nêles.
19Casa de Israel, bendizei ao Senhor: Casa de Aarão, bendizei ao Senhor.
20Casa de Levi, bendizei ao Senhor: Vós os que temeis ao Senhor, bendizei ao Senhor.
21Desde Sião se bendiga ao Senhor, que habita em Jerusalém.[3]Que habita — Em Sião estava o tabernáculo e a Arca da aliança, de onde se manifestava o Senhor ao seu povo, e protegia com especialíssimos prodígios e privilégios a Jerusalém, como se nela estivera o trono da sua misericórdia. No hebreu se acrescenta no fim: Halelu iah, que na Vulgata vem no princípio do seguinte salmo. — Pereira.