Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 147

Salmo gratulatório. Deve-se louvar a Deus, porque só êle é quem nos dá todos os bens.

Aleluia.[1]AleluiaALELUIA — No fim dêste salmo, e não no princípio, é que se lê Halelu-iah no hebreu, o que dá a entender que os hebreus o consideram como uma continuação do precedente, e o assunto é sem dúvida o mesmo. Como no salmo IX, se apartaram os gregos dos latinos no modo de os contar, aqui se tornam a concordar, e por fim todos contam 150 salmos.

12Louva, ó Jerusalém, ao Senhor: Louva, ó Sião, o teu Deus.

13Porque fortificou os ferrolhos das tuas portas: Abençoou os teus filhos dentro de ti.

14O que estabeleceu a paz nos teus limites e da flor da farinha te farta.[2]E da flor da farinhaE DA FLOR DA FARINHA — Adeps frumenti, significa a nata de trigo, ou flor da farinha, é o trigo mais mimoso, como o adeps olei o azeite mais puro. É hebraísmo freqüente nas Escrituras. — Pereira.

15O que envia a sua palavra à terra: Velozmente corre a sua palavra.

16O que dá neve como lã: Espalha a névoa como cinza.

17Envia o seu gêlo como em pedaços de pão: Diante da intensão do seu frio quem poderá suster-se?

18Enviará a sua palavra, e os derreterá: Soprará o seu espírito, e correrão feitos em águas.[3]O seu espíritoO SEU ESPÍRITO — Um vento quente como o do meio-dia, pelo qual se derrete o gêlo. Êste gêlo e saraiva denota que por meio dos trabalhos se chega às consolações, e por meio da mortificação à vida que dá aos seus o espírito, aquêle espírito consolador. — S. Hilário.

19O que anuncia a sua palavra a Jacó: As suas justiças, e juízos a Israel.

20Não se fêz assim a tôda a outra nação: E não lhes manifestou os seus juízos. Aleluia.

Todos os Livros Santos têm sido objeto de profundos estudos; acerca de cada um tem-se escrito muito, mas nenhum tem sido estudado tão profundamente, e dado ocasião a maior número de importantes trabalhos, como o Livro dos Salmos. Sobem a mil e duzentos os comentários ao Saltério; e fàcilmente se percebe pela sua grande importância, e pelo lugar proeminente que ocupam estes cânticos na Sagrada Liturgia. O sacerdote repete-os quotidianamente; os fiéis recitam-nos frequentes vezes, sendo por isto a parte mais vulgarizada e mais conhecida da Sagrada Escritura. Ignora-se o nome com que os hebreus designavam a coleção dos Salmos. Modernamente na Bíblia hebraica aparecem sob a designação de Thehillim, que significa os louvores. Os Setenta é que deram a denominação de Salmos. Segundo o testemunho constante dos autores antigos, o número dos Salmos é de cento e cinquenta. A versão grega, reproduzida pela Vulgata, reúne os Salmos 9 e 10, 114 e 115 do hebreu; divide o Salmo 116 em dois. A tradição judaica divide os Salmos em cinco livros. Davi é, sem dúvida alguma, o principal autor desta coleção, em que se revela como o maior poeta lírico de Israel. São composição sua quase dois terços dos Salmos. Doze Salmos têm o nome de Asaf, mestre de música; outros onze são atribuídos aos filhos de Core. O assunto dos Salmos resume-se em duas palavras: Deus e o homem. Deus na sua Infinita Grandeza, Onipotência, Onisciência, Bondade e Justiça; e o homem na sua fraqueza, abatimento, misérias, infelicidades e carência absoluta de socorro do Criador. A versão da Vulgata participa das imperfeições dos Setenta, mas estas diferenças não afetam a doutrina neles contida, nem alteram o sentido moral que nos Salmos se encerra. Pelos Salmos aprendemos a rogar o socorro do céu em nossas aflições, alentando-nos a esperança na proteção do céu. Ensinam-nos a amar a Deus, e a amar o próximo pelo amor de Deus.
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