Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 19

Salmo deprecatório, por ocasião de partir o rei para a guerra.

1Ao regente do côro, salmo de Davi.[1]Salmo de DaviDividem-no em nove estrofes, e quase correspondentes aos versículos, e o seu objeto é pedir a Deus que conceda a proteção ao rei no tempo de guerra.

2O Senhor te ouça no dia da tribulação: O nome de Deus de Jacó te proteja.[2]No dia da tribulaçãoDa tribulação da guerra, que sempre é uma grande calamidade. — Bossuet.

3Envie-te socorro desde o santuário: E desde Sião te proteja.

4Êle se lembre de todos os teus sacrifícios: E o holocausto que tu lhe ofereces lhe seja agradável.

5Reparta contigo segundo o teu coração: E cumpre todos os teus desígnios.

6Alegrar-nos-emos na tua salvação: E em nome do nosso Deus seremos engrandecidos.[3]Na tua salvaçãoCantaremos pela vitória, e pela salvação que nos dará o Senhor. O latim salutari significa pròpriamente a "salvação que nos vem do Salvador." — Bossuet. E em louvor de nosso Deus seremos engrandecidos — O hebraico lê, "alçaremos" ou "tremularemos bandeiras" em honra do nosso Deus, em sinal de vitória. — Pereira.

7Cumpra o Senhor tôdas as tuas petições: Agora tenho conhecido que o Senhor salvou o seu Cristo: Êle o ouvirá desde o seu santo céu: Nos potentados a salvação é da sua direita.

8Êstes confiam nas suas carroças, e aquêles nos seus cavalos: Mas nós invocaremos o nome do Senhor nosso Deus.

9Êles ficaram atados, e caíram: Mas nós nos levantamos e fomos sustidos.

10Senhor, salva ao rei: E ouve-nos no dia em que te invocarmos.

Todos os Livros Santos têm sido objeto de profundos estudos; acerca de cada um tem-se escrito muito, mas nenhum tem sido estudado tão profundamente, e dado ocasião a maior número de importantes trabalhos, como o Livro dos Salmos. Sobem a mil e duzentos os comentários ao Saltério; e fàcilmente se percebe pela sua grande importância, e pelo lugar proeminente que ocupam estes cânticos na Sagrada Liturgia. O sacerdote repete-os quotidianamente; os fiéis recitam-nos frequentes vezes, sendo por isto a parte mais vulgarizada e mais conhecida da Sagrada Escritura. Ignora-se o nome com que os hebreus designavam a coleção dos Salmos. Modernamente na Bíblia hebraica aparecem sob a designação de Thehillim, que significa os louvores. Os Setenta é que deram a denominação de Salmos. Segundo o testemunho constante dos autores antigos, o número dos Salmos é de cento e cinquenta. A versão grega, reproduzida pela Vulgata, reúne os Salmos 9 e 10, 114 e 115 do hebreu; divide o Salmo 116 em dois. A tradição judaica divide os Salmos em cinco livros. Davi é, sem dúvida alguma, o principal autor desta coleção, em que se revela como o maior poeta lírico de Israel. São composição sua quase dois terços dos Salmos. Doze Salmos têm o nome de Asaf, mestre de música; outros onze são atribuídos aos filhos de Core. O assunto dos Salmos resume-se em duas palavras: Deus e o homem. Deus na sua Infinita Grandeza, Onipotência, Onisciência, Bondade e Justiça; e o homem na sua fraqueza, abatimento, misérias, infelicidades e carência absoluta de socorro do Criador. A versão da Vulgata participa das imperfeições dos Setenta, mas estas diferenças não afetam a doutrina neles contida, nem alteram o sentido moral que nos Salmos se encerra. Pelos Salmos aprendemos a rogar o socorro do céu em nossas aflições, alentando-nos a esperança na proteção do céu. Ensinam-nos a amar a Deus, e a amar o próximo pelo amor de Deus.
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