Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 69

Salmo deprecatório. Davi oprimido de uma grande calamidade se volta a Deus pedindo-lhe pronto socorro contra os seus inimigos.

Ao regente do côro, salmo de Davi.[1]Salmo de DaviSALMO DE DAVI — Êste salmo é um fragmento do salmo 39.

1Em memória do que o Senhor o havia salvado.[2]Do que o SenhorDO QUE O SENHOR — No hebreu faltam estas últimas palavras, e só se diz: "Salmo de Davi para memória," ou para lembrar-se, dado "ao mestre dos músicos." — Sacy.

2Ó Deus, atende ao meu socorro: Senhor, vinde logo para ajudar-me.

3Confundidos sejam, e envergonhados, os que buscam a minha alma.[3]Confundidos sejamCONFUNDIDOS SEJAM — No salmo 34, desde o verso 18 por diante, se contém com pouca diferença quanto há no presente.

4Voltem-se atrás, e sejam envergonhados os que me desejam males:
Voltem-se logo cheios de confusão os que me dizem: Bem, bem.

5Regozijem-se, e alegrem-se em ti todos os que te buscam, e os que amam a tua salvação digam sempre: Engrandecido seja o Senhor.

6Mas eu sou necessitado e pobre: Ó Deus, socorre-me. O meu favorecedor, e o meu libertador és tu: Senhor, não te demores.

Todos os Livros Santos têm sido objeto de profundos estudos; acerca de cada um tem-se escrito muito, mas nenhum tem sido estudado tão profundamente, e dado ocasião a maior número de importantes trabalhos, como o Livro dos Salmos. Sobem a mil e duzentos os comentários ao Saltério; e fàcilmente se percebe pela sua grande importância, e pelo lugar proeminente que ocupam estes cânticos na Sagrada Liturgia. O sacerdote repete-os quotidianamente; os fiéis recitam-nos frequentes vezes, sendo por isto a parte mais vulgarizada e mais conhecida da Sagrada Escritura. Ignora-se o nome com que os hebreus designavam a coleção dos Salmos. Modernamente na Bíblia hebraica aparecem sob a designação de Thehillim, que significa os louvores. Os Setenta é que deram a denominação de Salmos. Segundo o testemunho constante dos autores antigos, o número dos Salmos é de cento e cinquenta. A versão grega, reproduzida pela Vulgata, reúne os Salmos 9 e 10, 114 e 115 do hebreu; divide o Salmo 116 em dois. A tradição judaica divide os Salmos em cinco livros. Davi é, sem dúvida alguma, o principal autor desta coleção, em que se revela como o maior poeta lírico de Israel. São composição sua quase dois terços dos Salmos. Doze Salmos têm o nome de Asaf, mestre de música; outros onze são atribuídos aos filhos de Core. O assunto dos Salmos resume-se em duas palavras: Deus e o homem. Deus na sua Infinita Grandeza, Onipotência, Onisciência, Bondade e Justiça; e o homem na sua fraqueza, abatimento, misérias, infelicidades e carência absoluta de socorro do Criador. A versão da Vulgata participa das imperfeições dos Setenta, mas estas diferenças não afetam a doutrina neles contida, nem alteram o sentido moral que nos Salmos se encerra. Pelos Salmos aprendemos a rogar o socorro do céu em nossas aflições, alentando-nos a esperança na proteção do céu. Ensinam-nos a amar a Deus, e a amar o próximo pelo amor de Deus.
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