Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 66

Salmo deprecatório. Pede a Deus que derrame sôbre êle as suas abundantes bênçãos, e que as estenda também a todos os povos da terra. Ao regente do côro.

1Com acompanhamento de instrumentos de corda. Salmo e cântico de Davi.[1]De DaviDE DAVI — Estas palavras são aumentadas pela Vulgata. Tem quatro estrofes: Primeira (2). Que Deus me abençoe. Segunda (3-4). Que tôda a terra conheça os caminhos do Senhor. Terceira (5-6). Que todos os povos se regozijem porque êle é justo. Quarta (7-8). A terra deu o seu fruto, que Deus seja bendito.

2Deus tenha piedade de nós, e nos abençoe: Faça resplandecer seu rosto sôbre nós, e tenha piedade de nós.

3Para que conheçamos na terra o teu caminho: Em tôdas as gentes a tua salvação.[2]Para que conheçamosPARA QUE CONHEÇAMOS — "Para que conheçamos na terra o teu Messias, que é o caminho por onde podemos chegar a ti. Jo 14, 6, conheçamos aquêle Salvador, que pela tua misericórdia nos enviarás para benefício e redenção de tôdas as nações." — P. Scio.

4Glorifiquem-te a ti, ó Deus, os povos: glorifiquem-te os povos todos.

5Alegrem-se e regozijem-se as gentes: Porquanto julgas os povos em equidade, e governas as gentes sôbre a terra.

6Glorifiquem-te a ti, ó Deus, os povos: Glorifiquem-te os povos todos:

7A terra deu o fruto.
Abençoe-nos Deus, o nosso Deus,[3]Deus, o nosso DeusDEUS, O NOSSO DEUS — A repetição do nome de Deus por três vêzes com um só verbo, no singular, significa no sentir dos Santos Padres, e Expositores, o Augusto Mistério da Trindade. — Calmet.

8abençoe-nos Deus: E temam-no todos os limites da terra.

Todos os Livros Santos têm sido objeto de profundos estudos; acerca de cada um tem-se escrito muito, mas nenhum tem sido estudado tão profundamente, e dado ocasião a maior número de importantes trabalhos, como o Livro dos Salmos. Sobem a mil e duzentos os comentários ao Saltério; e fàcilmente se percebe pela sua grande importância, e pelo lugar proeminente que ocupam estes cânticos na Sagrada Liturgia. O sacerdote repete-os quotidianamente; os fiéis recitam-nos frequentes vezes, sendo por isto a parte mais vulgarizada e mais conhecida da Sagrada Escritura. Ignora-se o nome com que os hebreus designavam a coleção dos Salmos. Modernamente na Bíblia hebraica aparecem sob a designação de Thehillim, que significa os louvores. Os Setenta é que deram a denominação de Salmos. Segundo o testemunho constante dos autores antigos, o número dos Salmos é de cento e cinquenta. A versão grega, reproduzida pela Vulgata, reúne os Salmos 9 e 10, 114 e 115 do hebreu; divide o Salmo 116 em dois. A tradição judaica divide os Salmos em cinco livros. Davi é, sem dúvida alguma, o principal autor desta coleção, em que se revela como o maior poeta lírico de Israel. São composição sua quase dois terços dos Salmos. Doze Salmos têm o nome de Asaf, mestre de música; outros onze são atribuídos aos filhos de Core. O assunto dos Salmos resume-se em duas palavras: Deus e o homem. Deus na sua Infinita Grandeza, Onipotência, Onisciência, Bondade e Justiça; e o homem na sua fraqueza, abatimento, misérias, infelicidades e carência absoluta de socorro do Criador. A versão da Vulgata participa das imperfeições dos Setenta, mas estas diferenças não afetam a doutrina neles contida, nem alteram o sentido moral que nos Salmos se encerra. Pelos Salmos aprendemos a rogar o socorro do céu em nossas aflições, alentando-nos a esperança na proteção do céu. Ensinam-nos a amar a Deus, e a amar o próximo pelo amor de Deus.
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