Capítulo 61
1Para Iditum, salmo de Davi.[1]Iditum — IDITUM — Era um dos três regentes do côro do tempo de Davi. 1 Par 16, 41. Foi composto êste salmo durante a revolta de Absalão. Contém cinco estrofes. Primeira (2-3). Ato de confiança em Deus. Segunda (4-5). Projetos dos inimigos de Davi contra a sua pessoa. Terceira (6-8). Novo ato de confiança em Deus. Quarta (9-11). Discurso ao povo para que espere em Deus o seu auxílio, para o que deve evitar o mal e praticar o bem. Quinta (12-13). Deus remunerador, recompensando cada um segundo os seus merecimentos.
2Porventura a minha alma não estará sujeita a Deus? Pois que dêle é a minha salvação.
3Porquanto êle mesmo é meu Deus, e meu Salvador: Meu amparador, não serei comovido jamais.
4Até quando arremetereis contra um homem? Ajuntai-vos todos para acabar com êle, como a parede inclinada, e muro abalado?[2]Até quando arremetereis — ATÉ QUANDO ARREMETEREIS — É uma apóstrofe que faz Davi aos seus inimigos e perseguidores: O hebreu: "Até quando maquinareis contra um homem", pondo-lhe ciladas? "Sereis mortos todos quantos sois semelhantes a uma parede inclinada, e a um valado desfeito," e que está para arruinar-se. — Pereira.
5Certamente meditaram tirar-me a minha dignidade, corri sedento: Com a sua bôca me bendiziam, e com o seu coração me maldiziam.[3]Corri sedento — CORRI SEDENTO — Os Setenta cucurri in siti, como na Vulgata: ou também cucurrerunt in siti aplicando-o aos perseguidores: correram após de mim sedentos de beber-me o sangue. No hebreu não há equivocação alguma porque o verbo está na terceira pessoa do plural. — P. Scio.
6Mas tu, ó alma minha, conserva-te sujeita a Deus: Porque dêle é que vém a minha paciência.
7Porque êle é meu Deus, e meu salvador: Meu favorecedor, não me comoverei.
8Em Deus está a minha salvação, e a minha glória: De Deus é que espero o meu socorro, e a minha esperança em Deus está.
9Esperai nêle tôda a congregação do povo, derramai ante êle os vossos corações: Deus é o nosso favorecedor eternamente.
10Certamente vãos são os filhos dos homens, mentirosos os filhos dos homens em balanças: Êles conspiram concordemente em vaidade para usar de enganos.[4]Certamente vãos são os filhos dos homens — CERTAMENTE VÃOS SÃO OS FILHOS DOS HOMENS — Isto é: são tão vãos, e de tão pouca substância os filhos dos homens, que se todos êles juntos se pusessem em uma balança, e a mesma vaidade em outra, ainda se conheceria, que pesavam menos que a vaidade. O sentido da Vulgata se pode também reduzir a êste mesmo: são tão vãos os filhos dos homens, que postos todos juntos em balanças, se encontrará que são mais vãos do que se pode crer, ou imaginar. Outros o explicam das balanças enganadoras, ou pesos falsos nos comércios e contratos. — Pereira.
11Não queirais confiar na iniqüidade, nem queirais cobiçar rapinas: Se abundardes em riquezas, não queirais pôr nelas o coração.
12Uma vez falou Deus, estas duas coisas tenho ouvido que o poder é de Deus,[5]Uma vez falou Deus — UMA VEZ — A palavra de Deus é imutável, e o que uma vez disse é irrevogável. — S. Jerônimo. ESTAS DUAS COISAS — Para que ninguém use de meios injustos para adquirir riquezas, e para que ninguém ponha o seu coração nas mesmas, quero dar-vos certeza do que revelou a nossos pais, e que tem feito uma forte impressão na minha alma, e são duas coisas: Primeira: que Deus é onipotente, para que o homem sòmente nêle confie; e ao mesmo tempo é misericordioso, para assistir com a riqueza, e abundância das suas graças aos que o amam. E a outra: que êle é justíssimo para premiar aos bons, e castigar aos ímpios. No que se alude ao que Deus disse, quando falou ao povo sôbre o Sinai, Êx 20, 5. 6. — P. Scio.
13e a ti, Senhor, a misericórdia: Porque tu retribuirás a cada um segundo as suas obras.