Capítulo 25
1Salmo de Davi. Julga-me, Senhor, porque eu andei na minha inocência: e esperando no Senhor não serei enfraquecido.[1]Salmo de Davi — Davi, ausente de Sião, pede ao Senhor que lhe permita poder louvá-lo em sua Santa Casa. Naturalmente foi composto durante a revolta de Absalão. 2 Rs 15, 6-25. Davi lamenta não poder louvar o Senhor no seu tabernáculo; é o pensamento principal dêste Salmo, que tem doze estrofes, correspondentes aos doze versículos. Calmet é de opinião que êste Salmo e os dois seguintes são a continuação do precedente, formando os quatro um só cântico. Seja como fôr, o que resulta dêste Salmo é o desejo duma alma, que confia na própria inocência, e que ardentemente quer tornar-se cada vez mais digna de cantar os louvores do Senhor. A Igreja repete cotidianamente parte dêste salmo, no Santo Sacrifício da Missa, quando o sacerdote lava as mãos.
2Prova-me, Senhor, e sonda-me: Abrasa os meus rins e meu coração.[2]Abrasa os meus rins — O hebreu tem: "Funde as minhas entranhas", isto é: acrisola, e purifica os meus afetos. Sl 7, 10; 15, 7.
3Porque a tua misericórdia eu a tenho diante de meus olhos: E na tua verdade me tenho comprazido.
4Não me sentei no congresso da vaidade: E não tratarei com os que obram a iniqüidade.[3]No congresso da vaidade — Com os idólatras, porque não há coisa mais vã que os ídolos: 1 Cor 8, 4, nem maior impiedade que trasladar às criaturas o culto que só se deve ao criador. "Com os que obram a iniqüidade." Outros vertem: "Com os hipócritas". — P. Scio.
5Eu aborreço a sociedade dos malignos: e não me assentarei com os ímpios.
6Mas lavarei as minhas mãos entre os inocentes: E estarei, Senhor, ao redor do teu altar:[4]Mas lavarei as minhas mãos / Estarei ao redor do teu altar — MAS LAVAREI AS MINHAS MÃOS — Com efeito pela lei de Moisés os que se chegavam ao altar lavavam as mãos, e os pés. Êx 30, 19.20. — Bossuet. ESTAREI, SENHOR, AO REDOR DO TEU ALTAR — Cerimónia que se usava nas solenes ações de graças, enquanto se fazia a oferenda dos sacrifícios de louvor, ou depois de feita. — P. Scio.
7Para ouvir a voz dos teus louvores, e narrar tôdas as tuas maravilhas.
8Senhor, eu amei a formosura da tua casa, e o lugar onde habita a tua glória.
9Não percas, ó Deus, com os ímpios a minha alma, nem com os homens sanguinários a minha vida:
10Em cujas mãos estão as iniquidades: A destra dêles está cheia de subornos.
11Porque eu andei na minha inocência: Resgata-me, e tem compaixão de mim.
12O meu pé estêve na retidão: nas igrejas te bendirei, ó Senhor.