Capítulo 78
1Salmo de Asaf.
Ó Deus, vieram as nações à tua herança, contaminaram o teu santo templo: Tornaram Jerusalém como cabana de guardar frutas.[1]Salmo de Asaf — Êste salmo deve ser da mesma época do Salmo 73 e refere-se à tomada de Jerusalém por Nabucodonosor. Tem quatro estrofes. Primeira (1-4). Quadro lamentável de Jerusalém devastada. Segunda (5-7). Pede misericórdia a Deus para com o seu povo desprezado. Terceira. Que Deus lhes perdoe os pecados. Quarta. Que tenha piedade de Israel. CABANA DE GUARDAR FRUTAS — Na Palestina há ainda hoje, e outrora com mais abundância, cabanas ou construções grosseiras de pedras, que serviam de resguardo contra os salteadores; eram desabitadas e quase tôdas em ruína.
2Deram os cadáveres dos teus servos por comida às aves do céu: As carnes dos teus santos aos animais da terra.[2]Santos — SANTOS — Quer dizer, os servos fiéis.
3Derramaram o sangue dêles como água à roda de Jerusalém: E não havia quem lhes desse a sepultura.[3]Como água — COMO ÁGUA — Quer dizer em grande abundância.
4Temos chegado a ser o opróbrio de nossos vizinhos: O escárnio e a mofa daqueles que estão em roda de nós.
5Até quando, Senhor, te hás de irar sem aplacar-te: Até quando se acenderá como fogo o teu zêlo?
6Derrama a tua ira sôbre as nações, que te não conhecem: E sôbre os reinos que não invocaram o teu nome.
7Porque êle tem devorado a Jacó: E tem assolado a sua casa.
8Não te lembres de nossas antigas maldades, anticipem-se logo as tuas misericórdias: Porque temos sido reduzidos a extrema miséria.
9Ajuda-nos, ó Deus, Salvador nosso: E pela glória do teu nome, Senhor, livra-nos: E perdoa os nossos pecados, por amor do teu nome.
10Para que não digam talvez as gentes: Onde está o Deus dêles? e se divulgue tal blasfêmia entre as nações ante os nossos olhos.
A vingança do sangue dos teus servos, que foi derramado:
11Os gemidos dos que estão em cadeias cheguem à tua presença.
Segundo a grandeza do teu braço, conserva os filhos dos que foram mortos.
12E dá a nossos vizinhos sete tantos no seio dêles: Seja opróbrio dos mesmos aquilo com que, Senhor, te improperavam.
13Mas nós que somos povo teu, e ovelhas do teu pasto, te glorificaremos para sempre:
De geração em geração publicaremos o teu louvor.