Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 91

Salmo didático. Exorta o profeta a empregar o dia do Sábado nos louvores da grandeza do Senhor, que resplandece nas suas obras, e à observância da lei em atenção a recompensa dos justos, e castigo dos pecadores.

Salmo do Cântico.

1Para o dia do Sábado.[1]Dia do SábadoDIA DO SABADO — Ainda hoje os judeus cantam êste salmo todos os sábados. É uma espécie de teodicéia resumida, na qual o salmista recorda os nossos deveres de louvar e agradecer a Providência Divina. O nome do Senhor, Jahvéh, é repetido sete vêzes, em memória dos sete dias da criação. Tem cinco estrofes. Primeira (2-4). É necessário louvar a Deus. Segunda (5-7). Por causa da sublimidade das suas obras e dos seus desígnios. Terceira (8-10). Porque triunfou dos seus inimigos. Quarta e Quinta. E que enriquece o justo de bênçãos.

2Bom é louvar ao Senhor: E cantar salmos ao teu nome, ó Altíssimo.

3Para publicar pela manhã a tua misericórdia: E a tua verdade pela noite.

4Com o saltério de dez cordas: Com cântico, ao som da cítara.

5Porquanto me deste prazer, Senhor, na tua feitura: E nas obras das tuas mãos me regozijarei.

6Quão magníficas são, Senhor, as tuas obras! Estremadamente profundos são os teus conselhos.

7O varão insensato não conhecerá: E o néscio não compreenderá estas coisas.

8Apenas se deixarão ver os pecadores como a erva: E aparecerão todos os que obram iniqüidade:
Quando perecerão pelo século do século:[2]Os que obram iniqüidadeOS QUE OBRAM INIQÜIDADE — Passa o Profeta às obras do soberano govêrno, e providência do Senhor, nas quais brilha e resplandece principalmente a justiça, e verdade. O hebreu tem: floresçam os maus como a erva, e reverdeçam todos os obradores da iniqüidade para serem destruídos para sempre. — P. Scio.

9Mas tu, Senhor, és eternamente o Altíssimo.

10Pois eis-aqui os teus inimigos, Senhor, eis-aqui os teus inimigos perecerão: E serão dissipados todos os que obram iniqüidade.

11E será exaltada a minha fôrça como a do unicórnio: E a minha velhice com abundância de misericórdia:

12E os meus olhos olharam com desprêzo para os meus inimigos: E os meus ouvidos ouviram o castigo dos malignos que se levantam contra mim.

13O justo como palma florescerá: Como cedro do Líbano se multiplicará.

14Plantados na casa do Senhor, florescerão nos átrios da casa do nosso Deus.

15Ainda se multiplicarão em velhice abundante: E estarão cheios de vigor,

16para anunciar:
Que é reto o Senhor nosso Deus: E que não há injustiça nêle.

Todos os Livros Santos têm sido objeto de profundos estudos; acerca de cada um tem-se escrito muito, mas nenhum tem sido estudado tão profundamente, e dado ocasião a maior número de importantes trabalhos, como o Livro dos Salmos. Sobem a mil e duzentos os comentários ao Saltério; e fàcilmente se percebe pela sua grande importância, e pelo lugar proeminente que ocupam estes cânticos na Sagrada Liturgia. O sacerdote repete-os quotidianamente; os fiéis recitam-nos frequentes vezes, sendo por isto a parte mais vulgarizada e mais conhecida da Sagrada Escritura. Ignora-se o nome com que os hebreus designavam a coleção dos Salmos. Modernamente na Bíblia hebraica aparecem sob a designação de Thehillim, que significa os louvores. Os Setenta é que deram a denominação de Salmos. Segundo o testemunho constante dos autores antigos, o número dos Salmos é de cento e cinquenta. A versão grega, reproduzida pela Vulgata, reúne os Salmos 9 e 10, 114 e 115 do hebreu; divide o Salmo 116 em dois. A tradição judaica divide os Salmos em cinco livros. Davi é, sem dúvida alguma, o principal autor desta coleção, em que se revela como o maior poeta lírico de Israel. São composição sua quase dois terços dos Salmos. Doze Salmos têm o nome de Asaf, mestre de música; outros onze são atribuídos aos filhos de Core. O assunto dos Salmos resume-se em duas palavras: Deus e o homem. Deus na sua Infinita Grandeza, Onipotência, Onisciência, Bondade e Justiça; e o homem na sua fraqueza, abatimento, misérias, infelicidades e carência absoluta de socorro do Criador. A versão da Vulgata participa das imperfeições dos Setenta, mas estas diferenças não afetam a doutrina neles contida, nem alteram o sentido moral que nos Salmos se encerra. Pelos Salmos aprendemos a rogar o socorro do céu em nossas aflições, alentando-nos a esperança na proteção do céu. Ensinam-nos a amar a Deus, e a amar o próximo pelo amor de Deus.
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