Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 145

Salmo gratulatório. Devemos pôr a nossa confiança em Deus, e louvar o seu poder, bondade e fidelidade, e celebrar o seu reino eterno.

1Aleluia, de Ageu, e de Zacarias.[1]AleluiaÊste e os seguintes salmos até ao fim do saltério, começam por aleluia, e têm todos o mesmo objeto — Louvar a Deus. Ubi desiit inde rursus incipit, nempe a laudatione, diz S. João Crisóstomo, ob. cit. A Vulgata acrescenta ao original as palavras Ageu e Zacarias, o que não quer dizer que fôssem êstes os autores, mas que o usassem cantar no segundo templo. Tem três estrofes. Primeira (1-4). É necessário louvar a Deus e não contar com os homens. Segunda (5-7). Feliz o que observa a lei do Senhor. Terceira (7-10). Deus o protetor dos justos o protegerá.

2Louva, ó alma minha, ao Senhor, eu louvarei ao Senhor, durante a minha vida: Cantarei salmos ao meu Deus por quanto tempo eu viver.
Não queirais confiar nos príncipes:

3Nos filhos dos homens, em que não há salvação.

4Sairá o seu espírito, e tornará a sua terra: Naquele dia perecerão todos os pensamentos dêles.[2]Sairá o seu espíritoSAIRÁ O SEU ESPÍRITO — Revertetur, non spiritus, sed filius hominis, isto é, corpus ejus, porque no hebreu ruahh, Spiritus, é feminino, e o verbo Jaschubh, revertetur, está na forma masculina. — P. Scio.

5Ditoso aquêle de quem é protetor o Deus de Jacó, cuja esperança é o Senhor seu Deus:

6O qual fêz o céu e a terra, o mar, e tôdas as coisas que nêles há.

7O que guarda verdade para sempre, faz justiça aos que sofrem injúria: Dá sustento aos famintos.
O Senhor desata aos que estão em grilhões:

8O Senhor alumia aos cegos.
O Senhor levanta os oprimidos, o Senhor ama aos justos.

9O Senhor guarda os peregrinos, amparará ao órfão, e a viúva: E destruirá os caminhos dos pecadores.

10O Senhor reinará pelos séculos, o teu Deus, ó Sião, reinará por tôdas as gerações.[3]ReinaráREINARÁ — Isto que a letra alude ao estabelecimento de Jerusalém depois do cativeiro, e em um sentido mais nobre pertence aos dois reinos de Jesus Cristo; que são, o temporal na Igreja, e o eterno no Céu. O hebreu no fim lê Halelu-iah. — Pereira.

Todos os Livros Santos têm sido objeto de profundos estudos; acerca de cada um tem-se escrito muito, mas nenhum tem sido estudado tão profundamente, e dado ocasião a maior número de importantes trabalhos, como o Livro dos Salmos. Sobem a mil e duzentos os comentários ao Saltério; e fàcilmente se percebe pela sua grande importância, e pelo lugar proeminente que ocupam estes cânticos na Sagrada Liturgia. O sacerdote repete-os quotidianamente; os fiéis recitam-nos frequentes vezes, sendo por isto a parte mais vulgarizada e mais conhecida da Sagrada Escritura. Ignora-se o nome com que os hebreus designavam a coleção dos Salmos. Modernamente na Bíblia hebraica aparecem sob a designação de Thehillim, que significa os louvores. Os Setenta é que deram a denominação de Salmos. Segundo o testemunho constante dos autores antigos, o número dos Salmos é de cento e cinquenta. A versão grega, reproduzida pela Vulgata, reúne os Salmos 9 e 10, 114 e 115 do hebreu; divide o Salmo 116 em dois. A tradição judaica divide os Salmos em cinco livros. Davi é, sem dúvida alguma, o principal autor desta coleção, em que se revela como o maior poeta lírico de Israel. São composição sua quase dois terços dos Salmos. Doze Salmos têm o nome de Asaf, mestre de música; outros onze são atribuídos aos filhos de Core. O assunto dos Salmos resume-se em duas palavras: Deus e o homem. Deus na sua Infinita Grandeza, Onipotência, Onisciência, Bondade e Justiça; e o homem na sua fraqueza, abatimento, misérias, infelicidades e carência absoluta de socorro do Criador. A versão da Vulgata participa das imperfeições dos Setenta, mas estas diferenças não afetam a doutrina neles contida, nem alteram o sentido moral que nos Salmos se encerra. Pelos Salmos aprendemos a rogar o socorro do céu em nossas aflições, alentando-nos a esperança na proteção do céu. Ensinam-nos a amar a Deus, e a amar o próximo pelo amor de Deus.
📄 PDF
📄 Original