Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 114

Dá o profeta graças a Deus pelo haver livrado de um perigo.

Aleluia.[1]AleluiaÊste e o seguinte formam no original um só. Ainda que se possam dividir, contudo percebe-se que estão íntima e estreitamente ligados, predominando o mesmo pensamento.

1Amei, porque o Senhor ouvirá a voz da minha oração.

2Porque inclinou para mim o seu ouvido:
E eu o invocarei todos os dias da minha vida.

3Dores de morte me cercaram:
E perigos de inferno se apoderaram de mim.
Eu me achei em tribulação e dor:

4E invoquei o nome do Senhor.
Ó Senhor, livra a minha alma:

5Misericordioso e justo é o Senhor, e o nosso Deus tem comiseração.

6O Senhor é o que guarda os pequeninos:
Eu fui humilhado, e êle me livrou.

7Volta, ó alma minha, ao teu repouso:
Porque o Senhor te fêz bem.

8Porque livrou da morte a minha alma:
Os meus olhos das lágrimas, os meus pés da queda.

9Agradarei ao Senhor na região dos vivos.[2]AgradareiAGRADAREI — O hebreu diz: "Andarei na presença do Senhor, guardando exatamente os seus divinos preceitos, como o mesmo Senhor o tem ordenado, e procurando agradar-lhe enquanto viver." — Pereira.

Todos os Livros Santos têm sido objeto de profundos estudos; acerca de cada um tem-se escrito muito, mas nenhum tem sido estudado tão profundamente, e dado ocasião a maior número de importantes trabalhos, como o Livro dos Salmos. Sobem a mil e duzentos os comentários ao Saltério; e fàcilmente se percebe pela sua grande importância, e pelo lugar proeminente que ocupam estes cânticos na Sagrada Liturgia. O sacerdote repete-os quotidianamente; os fiéis recitam-nos frequentes vezes, sendo por isto a parte mais vulgarizada e mais conhecida da Sagrada Escritura. Ignora-se o nome com que os hebreus designavam a coleção dos Salmos. Modernamente na Bíblia hebraica aparecem sob a designação de Thehillim, que significa os louvores. Os Setenta é que deram a denominação de Salmos. Segundo o testemunho constante dos autores antigos, o número dos Salmos é de cento e cinquenta. A versão grega, reproduzida pela Vulgata, reúne os Salmos 9 e 10, 114 e 115 do hebreu; divide o Salmo 116 em dois. A tradição judaica divide os Salmos em cinco livros. Davi é, sem dúvida alguma, o principal autor desta coleção, em que se revela como o maior poeta lírico de Israel. São composição sua quase dois terços dos Salmos. Doze Salmos têm o nome de Asaf, mestre de música; outros onze são atribuídos aos filhos de Core. O assunto dos Salmos resume-se em duas palavras: Deus e o homem. Deus na sua Infinita Grandeza, Onipotência, Onisciência, Bondade e Justiça; e o homem na sua fraqueza, abatimento, misérias, infelicidades e carência absoluta de socorro do Criador. A versão da Vulgata participa das imperfeições dos Setenta, mas estas diferenças não afetam a doutrina neles contida, nem alteram o sentido moral que nos Salmos se encerra. Pelos Salmos aprendemos a rogar o socorro do céu em nossas aflições, alentando-nos a esperança na proteção do céu. Ensinam-nos a amar a Deus, e a amar o próximo pelo amor de Deus.
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