Capítulo 28
1Salmo de Davi. Na consumação do Tabernáculo. Trazei ao Senhor, ó filhos de Deus: Trazei ao Senhor tenros cordeiros.[1]Na consumação do Tabernáculo — Estas palavras não estão no original, mas referem-se ao momento da trasladação da arca, em que se ouviu um enorme trovão, por isso a êste Salmo chamam alguns críticos o Salmo dos trovões. É um poema descritivo de grande valor. No original admira-se a harmonia imitativa do estilo, em virtude de onomatopéias de grande merecimento, o que não pode ser reprodução pela tradução. Tem cinco estrofes. Nesta descrição há duas cenas que formam um admirável contraste, uma sôbre a terra, a outra no Céu.
2Rendei ao Senhor glória e honra. Rendei ao Senhor a glória devida ao Senhor: Adorai ao Senhor, no átrio do seu Santuário.[2]No átrio do seu Santuário — O átrio do Santuário, ou Tabernáculo, era o lugar onde se congregava o povo para assistir ao culto e aos sacrifícios, e representava a Igreja Cristã, na qual os fiéis dão a Deus o verdadeiro culto e oferecem o sacrifício do cordeiro imaculado. — P. Scio.
3Voz do Senhor sôbre as águas, o Deus da majestade trovejou: O Senhor sôbre muitas águas.[3]Voz do Senhor sôbre as águas — O trovão se chama a cada passo na Escritura a Voz de Deus. Com esta linguagem sublime se simboliza a palavra do Evangelho, anunciada pelos apóstolos a tôda a terra, cuja soada se ouviu como um trovão. — Calmet.
4Voz do Senhor em poder: Voz do Senhor em magnificência.
5Voz do Senhor que quebra os cedros: E o Senhor quebrará os cedros do Líbano:
6E os fará em pequenos pedaços como a um bezerro do Líbano: E ao filho amado do unicórnio.[4]E os fará em pequenos pedaços — O hebreu diz: "E os fará saltar como ao bezerro, ao Líbano e ao Sarion, como filhos de unicórnios." Isto é, esmagará os cedros com os seus raios e com violentos furacões os arrancará; e desencaixando-se os penhascos do Líbano e do Sarion com terremotos, saltarão pelo ar, como saltam os bezerrinhos e os filhos dos unicórnios. O texto dos Setenta e os da Vulgata são mui obscuros, por se haver trasladado o nome próprio hebraico, que é o do monte Sarion ou Hermion. Dt 3. A voz amada se refere sem dúvida ao verbo encarnado, ao Unigênito do Padre, em cuja virtude os apóstolos obraram coisas maravilhosas na conversão do mundo. — P. Scio.
7Voz do Senhor que divide a chama do fogo:
8Voz do Senhor que abala o deserto: Porque o Senhor fará tremer o deserto de Cades.
9Voz do Senhor que prepara os veados, e descobrirá as espessuras: E no seu templo todos anunciarão a sua glória.[5]Que prepara os veados — Assim diz o hebreu, o que comumente se explica desta maneira: O ruído espantoso do trovão prepara as corças e as dispõe para que se descarreguem das suas crias antes de tempo, porque, segundo o curso ordinário da natureza, experimentam para isto maior trabalho e dificuldade que a maior parte dos outros animais. Veja-se Jó 39, 1. O Concurrientis desertum Cades do verso 8, também se deve trasladar no mesmo sentido. — Pereira.
10O Senhor faz habitar no dilúvio: E o Senhor sentar-se-á como rei para sempre.[6]O Senhor faz habitar no dilúvio — Lugar escuríssimo, como mostram as várias traduções que dêle se encontram nos autores. Porque De Carrières traduz: "O Senhor faz demorar sôbre a terra um dilúvio de água". Sacy: "O Senhor é o que suspende no ar um dilúvio". Berthier: "O Senhor faz habitar os homens no lugar mesmo do dilúvio". Eu segui à letra a Vulgata, deixando ao juízo de cada um a escolha. — Pereira.
11O Senhor dará fortaleza ao seu povo: O Senhor bendirá ao seu povo em paz.