Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 11

Salmo histórico e didático. Davi expondo ao Senhor as maldades de seus inimigos pede a Deus o livre dêles a êle e a todos os que o servem, o que anuncia que o Senhor salvaria, e estabeleceria a sua Igreja, fazendo que os seus mesmos perseguidores contribuíssem para a sua maior exaltação, e glória.

1Ao regente do côro, com vozes de baixo, salmo de Davi.

2Salva-me, Senhor, porque faltou homem santo: Porque vieram a menos as verdades entre os filhos dos homens.[1]Salva-meDavi pede ao Senhor que o livre dos maus que o cercam. Compreende cinco estrofes. 1.ª (2-3) Davi invoca o Senhor no meio dos perigos que o cercam. 2.ª (4-5) Que Deus destrua os ímpios. 3.ª (6) Resposta de Deus que quer salvar os desvalidos e os miseráveis. 4.ª (7) O Salmista compara ao ouro mais puro as palavras de Deus. 5.ª (8-9) Pede ao Senhor que guarde os seus que estão no meio dos maus.

3Cada um dêles falou coisas vãs ao seu próximo: Lábios dolosos com coração dobrado.

4Destrua o Senhor todos os lábios dolosos, e a língua audaz.

5Os que disseram: Queremos soltar livres a nossa língua, nossos lábios de nós são, quem é nosso Senhor?

6Pela miséria dos desvalidos, e o gemido dos pobres agora me levantarei, diz o Senhor. Eu os porei em salvo: Nisto eu obrarei confiadamente.[2]Pela miséria dos desvalidosIsto é, comovido pelas calamidades que os afligem.

7As palavras do Senhor, palavras sinceras: Prata purificada ao fogo, acendrada em crisol, passada sete vêzes por ardente prova.

8Tu, Senhor, nos guardarás: E nos preservarás desta geração para sempre.

9Os ímpios andam ao derredor: Segundo o teu altíssimo conselho, multiplicaste os filhos dos homens.

Todos os Livros Santos têm sido objeto de profundos estudos; acerca de cada um tem-se escrito muito, mas nenhum tem sido estudado tão profundamente, e dado ocasião a maior número de importantes trabalhos, como o Livro dos Salmos. Sobem a mil e duzentos os comentários ao Saltério; e fàcilmente se percebe pela sua grande importância, e pelo lugar proeminente que ocupam estes cânticos na Sagrada Liturgia. O sacerdote repete-os quotidianamente; os fiéis recitam-nos frequentes vezes, sendo por isto a parte mais vulgarizada e mais conhecida da Sagrada Escritura. Ignora-se o nome com que os hebreus designavam a coleção dos Salmos. Modernamente na Bíblia hebraica aparecem sob a designação de Thehillim, que significa os louvores. Os Setenta é que deram a denominação de Salmos. Segundo o testemunho constante dos autores antigos, o número dos Salmos é de cento e cinquenta. A versão grega, reproduzida pela Vulgata, reúne os Salmos 9 e 10, 114 e 115 do hebreu; divide o Salmo 116 em dois. A tradição judaica divide os Salmos em cinco livros. Davi é, sem dúvida alguma, o principal autor desta coleção, em que se revela como o maior poeta lírico de Israel. São composição sua quase dois terços dos Salmos. Doze Salmos têm o nome de Asaf, mestre de música; outros onze são atribuídos aos filhos de Core. O assunto dos Salmos resume-se em duas palavras: Deus e o homem. Deus na sua Infinita Grandeza, Onipotência, Onisciência, Bondade e Justiça; e o homem na sua fraqueza, abatimento, misérias, infelicidades e carência absoluta de socorro do Criador. A versão da Vulgata participa das imperfeições dos Setenta, mas estas diferenças não afetam a doutrina neles contida, nem alteram o sentido moral que nos Salmos se encerra. Pelos Salmos aprendemos a rogar o socorro do céu em nossas aflições, alentando-nos a esperança na proteção do céu. Ensinam-nos a amar a Deus, e a amar o próximo pelo amor de Deus.
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