Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 92

Salmo gratulatório. Por meio de formosas e vivas alegorias celebra a glória, e a imortalidade do reino de Jesus Cristo.

Louvor de cântico do mesmo Davi para o dia que precede ao sábado quando a terra foi fundada.[1]Êste salmoÊste salmo não tem título no original; o da Vulgata quer dizer que é destinado a ser cantado na sexta-feira, no sacrifício da manhã, para comemorar a criação dos homens. Êste salmo composto por Davi, provàvelmente depois duma vitória, foi aplicado posteriormente à liturgia.

1O Senhor reinou, vestiu-se de magnificência: Vestiu-se o Senhor de fortaleza, e cingiu-se.
Porque firmou a redondeza da terra, que não será comovida.[2]O Senhor reinouO SENHOR REINOU — Pode-se dizer que Deus começou a reinar no mundo, depois de haver criado o homem que o devia habitar. O profeta nos pinta o Senhor debaixo da figura de um príncipe recebendo homenagem de seus vassalos no dia de sua exaltação ao trono, apresentando-se à sua côrte cheio de majestade, pompa e gala. Tudo isto convém perfeitamente a Jesus Cristo, que havendo estabelecido com a sua morte o seu reino, e Igreja, que há de durar por tôda a eternidade, entrou na posse dêle, e cheio de glória subiu aos Céus. — P. Scio.

2Desde então se estabeleceu o teu trono: tu és desde a eternidade.

3Alçaram os rios, Senhor: Alçaram os rios o estrondo da sua voz.
Encresparam os rios as suas ondas.

4Pelas vozes das suas muitas águas.
Maravilhosas as inchações do mar, maravilhoso nas alturas o Senhor.

5Os teus testemunhos se têm feito críveis em grande maneira: À tua casa convém santidade, Senhor, por diuturnidade de dias.

Todos os Livros Santos têm sido objeto de profundos estudos; acerca de cada um tem-se escrito muito, mas nenhum tem sido estudado tão profundamente, e dado ocasião a maior número de importantes trabalhos, como o Livro dos Salmos. Sobem a mil e duzentos os comentários ao Saltério; e fàcilmente se percebe pela sua grande importância, e pelo lugar proeminente que ocupam estes cânticos na Sagrada Liturgia. O sacerdote repete-os quotidianamente; os fiéis recitam-nos frequentes vezes, sendo por isto a parte mais vulgarizada e mais conhecida da Sagrada Escritura. Ignora-se o nome com que os hebreus designavam a coleção dos Salmos. Modernamente na Bíblia hebraica aparecem sob a designação de Thehillim, que significa os louvores. Os Setenta é que deram a denominação de Salmos. Segundo o testemunho constante dos autores antigos, o número dos Salmos é de cento e cinquenta. A versão grega, reproduzida pela Vulgata, reúne os Salmos 9 e 10, 114 e 115 do hebreu; divide o Salmo 116 em dois. A tradição judaica divide os Salmos em cinco livros. Davi é, sem dúvida alguma, o principal autor desta coleção, em que se revela como o maior poeta lírico de Israel. São composição sua quase dois terços dos Salmos. Doze Salmos têm o nome de Asaf, mestre de música; outros onze são atribuídos aos filhos de Core. O assunto dos Salmos resume-se em duas palavras: Deus e o homem. Deus na sua Infinita Grandeza, Onipotência, Onisciência, Bondade e Justiça; e o homem na sua fraqueza, abatimento, misérias, infelicidades e carência absoluta de socorro do Criador. A versão da Vulgata participa das imperfeições dos Setenta, mas estas diferenças não afetam a doutrina neles contida, nem alteram o sentido moral que nos Salmos se encerra. Pelos Salmos aprendemos a rogar o socorro do céu em nossas aflições, alentando-nos a esperança na proteção do céu. Ensinam-nos a amar a Deus, e a amar o próximo pelo amor de Deus.
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