Capítulo 79
1Ao regente do côro, para ser cantado com música da ária de lírio, testemunho de Asaf, salmo.[1]Testemunho — TESTEMUNHO — No original está Edouth, palavra obscura a que os intérpretes dão esta significação. O assunto é êste: o reino de Israel (ou Efraim, descendente de José) pede a proteção de Deus contra os assírios que o oprimem. Tem cinco estrofes: Primeira (2-4). Que o pastor de Israel socorra Efraim e Manassés. Segunda (5-8). Israel pranteia a sua sorte, e os seus inimigos escarnecem da sua dor. Terceira (9-12). Deus transplantara-o como uma vide para as montanhas de Efraim e aí prosperou. Quarta (13-16). Por que deixa êle devastar a sua plantação? Quinta (17-20). Proteja o seu povo, Israel será fiel e invocará seu nome.
2Tu que governas a Israel, atende: Tu que conduzes a José como uma ovelha.
Tu que estás sentado sôbre os querubins, manifesta-te[2]Tu que governas — TU QUE GOVERNAS — O hebreu tem: "Pastor de Israel," cujo ofício se aplica a Jesus Cristo no Evangelho. — P. Scio.
3diante de Efraim, Benjamim, e Manassés.
Excita o teu poder, e vem a fazer-nos salvos.
4Ó Deus, converte-nos: E mostra-nos o teu rosto, e seremos salvos.
5Senhor Deus dos exércitos, até quando estarás irado, sem ouvir a oração do teu servo?
6Sustentar-nos-ás com pão de lágrimas: E nos darás bebida de lágrimas com abundância?
7Puseste-nos em contradição a nossos vizinhos: E nossos inimigos fizeram escárnio de nós.
8Deus das virtudes, converte-nos: Mostra-nos o teu rosto, e seremos salvos.
9Trasladaste a tua vinha do Egito: Lançaste fora as gentes, e plantaste-a em seu lugar.[3]Trasladaste a tua vinha — TRASLADASTE A TUA VINHA — O teu povo. Assim é chamado freqüentemente na Escritura. Is 5. Jer 2, 21. Ez 7, 6. E êste povo ou nação judaica é figura expressa da Igreja. — P. Scio.
10Guia fôste no caminho diante dela: Fizeste-a arraigar, e ela tem enchido a terra.
11A sombra dela cobriu os montes: E as suas ramas excederam os cedros de Deus.[4]Os cedros de Deus — OS CEDROS DE DEUS — Como já fica explicado em outros lugares: Os cedros mui elevados.
12Estendeu as suas vides até ao mar: E até ao rio os seus mergulhões.[5]Até ao mar — ATÉ AO MAR — O Mediterrâneo; e até o rio Eufrates, até onde havia estendido os seus limites a nação dos hebreus nos tempos de Davi.
13Para que destruíste o seu muro: E a vindimam todos os que passam pelo caminho?
14O javali da selva a destruiu: E a fera selvagem a devorou.[6]O javali — O JAVALI — Êste animal é muito comum na Palestina. Aqui toma-se pelo idumeu, segundo os comentadores judeus, e a fera selvagem figura o árabe nômada. São emblemas dos inimigos do povo de Deus.
15Deus dos exércitos, volta-te: Olha desde o céu, atende, e visita esta vinha.
16E acaba de aperfeiçoar a que plantou a tua destra: E olha para o fim do homem, que confirmaste para ti.
17Ela foi queimada a fogo, e escavada às ameaças de teu rosto perecerão.[7]Perecerão — PERECERÃO — Os que a queimaram, e arrancaram. Assim Bossuet, Calmet, e o Breviário francês. Outros com Sacy e de Carrières: "Os seus habitantes estão a ponto de perecerem, à fôrça da severidade e ameaços do teu rosto, etc."
18Seja a tua mão sôbre o varão da tua destra: E sôbre o filho do homem que confirmaste para ti.[8]Sôbre o varão da tua destra — SÔBRE O VARÃO DA TUA DESTRA — Por êste "homem da direita de Deus" entendem os antigos rabinos o Messias; os Santos Padres a Jesus Cristo, que sendo filho de Deus, e verdadeiro Deus, assim mesmo se costumava chamar no Evangelho "o filho do homem," por ser também verdadeiro homem. — Calmet.
19E não nos apartamos de ti, tu nos darás vida: E invocaremos o teu nome.
20Senhor Deus dos exércitos, converte-nos: E mostra-nos o teu rosto, seremos salvos.