Capítulo 58
1Al'thaschekcheth de Davi Miktham quando enviou Saul, e pôs guardas à sua casa para o matar. (1 Rs 19, 11.)
2Livra-me, meu Deus, de meus inimigos: E livra-me dos que se levantam contra mim.
3Livra-me dos que obram iniqüidade: E salva-me dos varões sangüinários.
4Pois eis-aqui que fizeram prêsa da minha alma: Vieram sôbre mim os fortes.[1]VIERAM SÔBRE MIM OS FORTES — Os soldados e gente que havia enviado Saul, para o prender na sua mesma casa. O hebreu diz: "se juntaram sôbre mim fortes." — Pereira.
5Nem maldade minha, nem pecado meu é causa disto, Senhor: Sem injustiça corri, e ordenei os meus passos.
6Levanta-te ao meu encontro, e considera: E tu, Senhor Deus das virtudes, Deus de Israel, atende a visitar tôdas as gentes, não uses de piedade com todos os que obram iniqüidade.[2]LEVANTA-TE AO MEU ENCONTRO — Corre prontamente a defender-me. Tu és, Senhor, o Deus de Israel, o Deus dos exércitos. Castiga exemplarmente êstes ímpios, que cada dia acrescentam delitos, e se fazem indignos da tua misericórdia. — Pereira.
7Voltarão junto à tarde: E padecerão fome como cães, e rodearão a cidade.[3]E RODEARÃO A CIDADE — Descreve o cuidado, e ousadia dos ministros de Saul para surpreender a Davi, e os compara a cães danados. — P. Scio.
8Eis-aqui falarão com a sua bôca, e espada está nos lábios dêles: Porque quem tem ouvido?[4]PORQUE QUEM TEM OUVIDO? — Alguns explicam êste lugar dêste modo: bem podemos falar com liberdade; porque ninguém nos ouve nem há quem disto possa dar aviso a Davi. O hebreu diz: "Porque quem há que a ouça?" O que muitos aplicam aos que não crêem que há Providência, ou juízo de Deus. — P. Scio.
9Mas tu, Senhor, zombarás dêles: Olharás como um nada tôdas as gentes.
10Depositarei em ti a minha fortaleza, porque tu és Deus amparador meu:
11Deus meu, a misericórdia dêle se antecipará.
12Deus me dará a conhecer acêrca dos meus inimigos, não os mates: Porque talvez não se esqueçam os meus povos. Espalha-os com o teu poder: E abate-os, Senhor, protetor meu![5]DEUS ME DARÁ A CONHECER — Isto é, me dará indícios do castigo com que determina tratar meus inimigos. O hebreu tem: "Deus me fará ver nos meus êmulos o castigo desejado." — P. Scio. NÃO OS MATES: PORQUE TALVEZ — É o mesmo que dizer: Não os mates, mas seja durável o seu castigo, para que os meus povos o tenham sempre na memória. Dito profético, em que Santo Agostinho, e outros Padres, consideram vaticinada a dispersão do povo judaico, para exemplo dos cristãos. — Bossuet.
13Pelo pecado da sua bôca, pelas palavras dos seus lábios: E que fiquem prêsos na sua mesma soberba. E pela sua execração e mentira serão mostrados,
14no dia da consumação: Serão convencidos pela tua ira, e não subsistirão mais. E saberão que Deus dominará a Jacó: E aos confins da terra.
15Voltarão à tarde e padecerão fome como cães: E rodearão a cidade.
16Êles mesmos andarão dispersos para comer: E se não se fartarem, ainda murmurarão.[6]AINDA MURMURARÃO — Andarão de porta em porta, como mendigos buscando o pão, porquanto sucederá freqüentemente que por falta dêle não possam saciar a fome; cheios de impaciência murmurarão. — P. Scio.
17Mas eu cantarei a tua fortaleza: E me regozijarei pela manhã da tua misericórdia. Porque te fizeste meu amparador, e meu refúgio, no dia da minha tribulação.
18Eu te cantarei a ti, favorecedor meu, porque és Deus amparador meu: Deus meu, misericórdia minha.