Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 95

Salmo gratulatório. Exorta o profeta a todos para que louvem a Deus pela sua grandeza, e singularmente pela vinda do Messias a reformar o mundo. Cântico do mesmo Davi.

1Quando se edificava a casa depois do cativeiro. (1 Par 15.)
Cantai ao Senhor um cântico novo: Cantai ao Senhor, habitantes de tôda a terra.[1]Cântico de DaviCântico de Davi, quando construiu a sua casa depois do cativeiro. Foi cantado na festa da trasladação da arca, no tempo de Davi. Tem cinco estrofes.

2Cantai ao Senhor, bendizei o seu nome: Anunciai de dia a sua salvação.

3Anunciai entre as gentes a sua glória, em todos os povos as suas maravilhas.

4Porque o Senhor é grande, e mui digno de ser louvado: Terrível é sôbre todos os deuses.

5Porque todos os deuses das gentes são demónios: Mas o Senhor fêz os céus.

6Louvor, e formosura diante dêle: Santidade, e grandeza no seu santuário.

7Tributai ao Senhor, ó famílias das gentes, tributai ao Senhor glória e honra:[2]Ó famíliasÓ FAMÍLIAS — Na Vulgata se conserva a palavra grega, que significa famílias, tribos, e aqui, em significação mais extensa, os povos, ou nações que não eram do povo de Deus, no que se insinua o Mistério da conversão dos gentios, tantas vêzes anunciada. — P. Scio.

8Tributai ao Senhor a glória devida ao seu nome.
Tomai vítimas, e entrai nos seus átrios:

9Adorai ao Senhor no átrio do santo tabernáculo.
Trema tôda a terra à sua presença:

10Dizei entre as gentes que o Senhor reinou.
Porque firmou a redondeza da terra, que não será comovida: Julgará os povos com eqüidade.

11Alegrem-se os céus, e regozije-se a terra, comova-se o mar, e o que êle contém:

12Alegrar-se-ão os campos, e tôdas as coisas, que dêles há.
Então se regozijarão tôdas as árvores das selvas.

13Ante a face do Senhor porque veio: Porque veio a julgar a terra.
Julgará a redondeza da terra com eqüidade, e os povos segundo a sua verdade.

Todos os Livros Santos têm sido objeto de profundos estudos; acerca de cada um tem-se escrito muito, mas nenhum tem sido estudado tão profundamente, e dado ocasião a maior número de importantes trabalhos, como o Livro dos Salmos. Sobem a mil e duzentos os comentários ao Saltério; e fàcilmente se percebe pela sua grande importância, e pelo lugar proeminente que ocupam estes cânticos na Sagrada Liturgia. O sacerdote repete-os quotidianamente; os fiéis recitam-nos frequentes vezes, sendo por isto a parte mais vulgarizada e mais conhecida da Sagrada Escritura. Ignora-se o nome com que os hebreus designavam a coleção dos Salmos. Modernamente na Bíblia hebraica aparecem sob a designação de Thehillim, que significa os louvores. Os Setenta é que deram a denominação de Salmos. Segundo o testemunho constante dos autores antigos, o número dos Salmos é de cento e cinquenta. A versão grega, reproduzida pela Vulgata, reúne os Salmos 9 e 10, 114 e 115 do hebreu; divide o Salmo 116 em dois. A tradição judaica divide os Salmos em cinco livros. Davi é, sem dúvida alguma, o principal autor desta coleção, em que se revela como o maior poeta lírico de Israel. São composição sua quase dois terços dos Salmos. Doze Salmos têm o nome de Asaf, mestre de música; outros onze são atribuídos aos filhos de Core. O assunto dos Salmos resume-se em duas palavras: Deus e o homem. Deus na sua Infinita Grandeza, Onipotência, Onisciência, Bondade e Justiça; e o homem na sua fraqueza, abatimento, misérias, infelicidades e carência absoluta de socorro do Criador. A versão da Vulgata participa das imperfeições dos Setenta, mas estas diferenças não afetam a doutrina neles contida, nem alteram o sentido moral que nos Salmos se encerra. Pelos Salmos aprendemos a rogar o socorro do céu em nossas aflições, alentando-nos a esperança na proteção do céu. Ensinam-nos a amar a Deus, e a amar o próximo pelo amor de Deus.
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