Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 150

Salmo gratulatório. Que se há de louvar o Senhor, porque só êle é digno de que se louve de tôdas as maneiras.

1Aleluia.
Louvai ao Senhor no seu santuário: Louvai-o no firmamento da sua virtude.[1]Aleluia / No seu santuárioÊste salmo é uma magnífica doxologia, na qual o salmista convida treze vêzes, compreendendo neste número as aleluias inicial e final, a louvar a Deus no seu templo, por causa da sua grandeza, com tôda a espécie de instrumentos de música, terminando com esta frase digna de fechar e resumir todo o saltério: Omnis spiritus laudet Dominum Alleluia. Kimchi diz que êstes treze louvores correspondem aos treze atributos que a sinagoga reconhecia em Deus, segundo o Êx 34, 6-7. — NO SEU SANTUÁRIO — In sanctis está no gênero neutro, e corresponde ao hebreu, onde se lê: no santo ou santidade dêle: isto é: ou no Céu, que é como santuário, e o trono do seu poder, ou sôbre a terra nos efeitos da sua virtude... Outros explicam isto referindo o primeiro versículo aos espíritos celestiais, desta maneira: "Louvai ao Senhor, vós que estais no seu santuário: Louvai-o os que estais no firmamento, onde resplandece o seu poder;" e o segundo versículo aos homens, desta maneira: Louvai-o, israelitas, nas provas que faz ver da sua virtude onipotente: Louvai-o pelo grande número de testemunhos que vos dá de sua grandeza infinita. — Pereira.

2Louvai-o nas virtudes dêle: Louvai-o segundo a multidão da sua grandeza.

3Louvai-o ao som da trombeta: Louvai-o com saltério e cítara.

4Louvai-o com adufe e flauta: Louvai-o com cordas, e órgão.[2]E flauta / E órgãoE FLAUTA — Assim de Carrières, o que na Vulgata se diz, et choro. Onde o nome chorus, como já antes tinha advertido Duhamel, não se deve tomar por ajuntamento de cantores, mas por um certo género de dança. Est tibiae genus, non Coetus canentium. E isto mesmo se colhe do que na nota precedente ouvimos a Orígenes dos oito instrumentos músicos. — Pereira. E ÓRGÃO — Já do seu tempo dizia Santo Agostinho, que o órgão, de que falam os salmos, não devia ser como o nosso órgão de foles. Calmet crê que não era outra coisa mais do que um composto de flautas de cana, pegadas com grude uma às outras, que sucessivamente se corriam pelos beiços, e faziam um som harmonioso. Nêle se pode ver a sua figura, como a dos mais instrumentos músicos, de que usaram os antigos. — Pereira.

5Louvai-o com címbalos sonoros: Louvai-o com címbalos de júbilo:[3]Com címbalosCOM CÍMBALOS — O profeta exortando aos israelitas a cantar os louvores do Senhor com tôda esta diversidade de instrumentos, nos adverte que o façamos de uma maneira muito mais santa! Isto é, com todos os membros do nosso corpo, e com tôdas as potências e afetos da nossa alma. — S. João Crisóstomo.

6Todo o espírito louve o Senhor. Aleluia.

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Todos os Livros Santos têm sido objeto de profundos estudos; acerca de cada um tem-se escrito muito, mas nenhum tem sido estudado tão profundamente, e dado ocasião a maior número de importantes trabalhos, como o Livro dos Salmos. Sobem a mil e duzentos os comentários ao Saltério; e fàcilmente se percebe pela sua grande importância, e pelo lugar proeminente que ocupam estes cânticos na Sagrada Liturgia. O sacerdote repete-os quotidianamente; os fiéis recitam-nos frequentes vezes, sendo por isto a parte mais vulgarizada e mais conhecida da Sagrada Escritura. Ignora-se o nome com que os hebreus designavam a coleção dos Salmos. Modernamente na Bíblia hebraica aparecem sob a designação de Thehillim, que significa os louvores. Os Setenta é que deram a denominação de Salmos. Segundo o testemunho constante dos autores antigos, o número dos Salmos é de cento e cinquenta. A versão grega, reproduzida pela Vulgata, reúne os Salmos 9 e 10, 114 e 115 do hebreu; divide o Salmo 116 em dois. A tradição judaica divide os Salmos em cinco livros. Davi é, sem dúvida alguma, o principal autor desta coleção, em que se revela como o maior poeta lírico de Israel. São composição sua quase dois terços dos Salmos. Doze Salmos têm o nome de Asaf, mestre de música; outros onze são atribuídos aos filhos de Core. O assunto dos Salmos resume-se em duas palavras: Deus e o homem. Deus na sua Infinita Grandeza, Onipotência, Onisciência, Bondade e Justiça; e o homem na sua fraqueza, abatimento, misérias, infelicidades e carência absoluta de socorro do Criador. A versão da Vulgata participa das imperfeições dos Setenta, mas estas diferenças não afetam a doutrina neles contida, nem alteram o sentido moral que nos Salmos se encerra. Pelos Salmos aprendemos a rogar o socorro do céu em nossas aflições, alentando-nos a esperança na proteção do céu. Ensinam-nos a amar a Deus, e a amar o próximo pelo amor de Deus.
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