Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 82

Salmo deprecatório. Pede o profeta neste salmo que os inimigos do povo de Deus conjurados em grande número contra êle sejam dissipados pelo Senhor, assim como a palha pelo vento.

1Cântico de salmo de Asaf.[1]Cântico de salmo de AsafOs idumeus, os árabes, os moabitas e os outros povos vizinhos, uniram-se para atacar o reino de Judá. É provàvelmente a liga de que se fala 2. Par 20, 1, do tempo de Josafá, 895 A. C. O salmista pede a Deus que o livre dos inimigos do povo de Deus. Tem nove estrofes. A sequência das idéias é fácil de perceber.

2Ó Deus, quem será semelhante a ti? não estejas em silêncio, nem te detenhas, ó Deus.[2]Não estejas em silêncioNÃO ESTEJAS EM SILÊNCIO — Quer dizer, não fiques em repouso, nem deixes de exercer a tua justiça contra os teus inimigos.

3Pois vês que os teus inimigos têm feito ruído: E os que te aborrecem, levantaram a cabeça:

4Sôbre o teu povo tiveram desígnios maliciosos: E maquinaram contra os teus santos.[3]Contra os teus santosCONTRA OS TEUS SANTOS — O hebreu diz: "Sôbre os teus escondidos," sôbre o que tu cobres com a tua sombra. Sl 30, 21, Teodoreto interpreta: "Contra o seu Cristo." — P. Scio.

5Disseram: Vinde, e arruinemos aos desta nação e não haja mais memória do nome de Israel.

6Porque maquinaram unânimes: Todos juntos formaram liga contra ti,

7as tendas dos idumeus, e os ismaelitas:
Moab, e os Agarenos,

8Gebal, e Amon, e Amalec: Os estrangeiros com os moradores de Tiro.[4]Os estrangeiros / GebalOS ESTRANGEIROS — São os filisteus. GEBAL — Segundo uns, é uma cidade no pôrto da Fenícia, a que os gregos chamavam Biblos, ao norte do Tiro e do Beirute; mas o que é mais seguido é que Gebal designa o país montanhoso que se estende desde o mar Morto a Petra, capital da Iduméia. Ainda hoje conserva o nome Djebal, palavra que significa montanha. Os seus habitantes unir-se-iam aos amonitas, que habitavam a este do mar Morto; aos amalecitas, tribo nômada da península do Sinai, vizinha da Iduméia.

9Até veio Assur com êles: Ajuntaram-se para auxiliarem aos filhos de Ló.[5]Filhos de LóFILHOS DE LÓ — São moabitas e amonitas, que descendiam de Moab, e Amon, filhos de Ló.

10Faz-lhes a êles como aos filhos de Madian, e a Sisara: Como a Jabin no ribeiro de Cisson.[6]Filhos de Madian / JabinFILHOS DE MADIAN — Aos madianitas, que foram inteiramente derrotados por Gedeão. Jz 7, 21. COMO A JABIN — Sisara, capitão de Jabin, um dos reis de Canaã, foi vencido por Débora e Barac junto do monte Tabor, ao pé do ribeiro de Cisson. Jz 4. — Pereira.

11Acabaram em Endor: Foram feitos como escória da terra.

12Trata aos comandantes dêles como a Oréb, e Zeb, e a Zebee, e a Salmana:
A todos os comandantes daqueles

13que disseram: Tomemos por herança o Santuário de Deus.

14Ó meu Deus, põe-nos tu a êles como uma roda: E como uma palhinha diante da fúria do vento.[7]Como uma rodaCOMO UMA RODA — Sem consistência, numa agitação constante.

15Como fogo, que queima uma selva: E como chama que abrasa os montes:

16Assim os perseguirás com a tua tempestade: E com a tua ira os conturbarás.

17Enche os seus rostos de ignomínia: E então buscarão o teu nome, Senhor.

18Sejam afrontados, e turbados para sempre: E sejam confundidos, e pereçam.

19E conheçam que te é próprio o nome de Senhor: Que tu só és o Altíssimo em tôda a terra.

Todos os Livros Santos têm sido objeto de profundos estudos; acerca de cada um tem-se escrito muito, mas nenhum tem sido estudado tão profundamente, e dado ocasião a maior número de importantes trabalhos, como o Livro dos Salmos. Sobem a mil e duzentos os comentários ao Saltério; e fàcilmente se percebe pela sua grande importância, e pelo lugar proeminente que ocupam estes cânticos na Sagrada Liturgia. O sacerdote repete-os quotidianamente; os fiéis recitam-nos frequentes vezes, sendo por isto a parte mais vulgarizada e mais conhecida da Sagrada Escritura. Ignora-se o nome com que os hebreus designavam a coleção dos Salmos. Modernamente na Bíblia hebraica aparecem sob a designação de Thehillim, que significa os louvores. Os Setenta é que deram a denominação de Salmos. Segundo o testemunho constante dos autores antigos, o número dos Salmos é de cento e cinquenta. A versão grega, reproduzida pela Vulgata, reúne os Salmos 9 e 10, 114 e 115 do hebreu; divide o Salmo 116 em dois. A tradição judaica divide os Salmos em cinco livros. Davi é, sem dúvida alguma, o principal autor desta coleção, em que se revela como o maior poeta lírico de Israel. São composição sua quase dois terços dos Salmos. Doze Salmos têm o nome de Asaf, mestre de música; outros onze são atribuídos aos filhos de Core. O assunto dos Salmos resume-se em duas palavras: Deus e o homem. Deus na sua Infinita Grandeza, Onipotência, Onisciência, Bondade e Justiça; e o homem na sua fraqueza, abatimento, misérias, infelicidades e carência absoluta de socorro do Criador. A versão da Vulgata participa das imperfeições dos Setenta, mas estas diferenças não afetam a doutrina neles contida, nem alteram o sentido moral que nos Salmos se encerra. Pelos Salmos aprendemos a rogar o socorro do céu em nossas aflições, alentando-nos a esperança na proteção do céu. Ensinam-nos a amar a Deus, e a amar o próximo pelo amor de Deus.
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