Capítulo 102
1Do mesmo Davi.
Bendiz, ó alma minha, ao Senhor: E tôdas as coisas que há dentro de mim bendigam ao seu santo Nome.[1]Êste salmo — Êste salmo é o cântico das misericórdias do Senhor, e um dos mais belos de tôda a coleção. Dêle escreve La Harpe: Elles (les miséricordes du Seigneur) n'ont jamais été célébrées d'un ton plus sublime, et jamais le sublime n'a été plus touchant. Tem cinco estrofes. Primeira (1-5). Exorta-nos o salmista a que louvemos a Deus, agradecendo todos os benefícios que a sua Infinita Bondade nos liberaliza. Segunda (6-9). Porque cuidou sempre dos oprimidos, como fêz aos hebreus nos dias de Moisés. Terceira (10-14). Por causa do perdão que concede aos pecadores. Quarta (15-18). Por causa da sua bondade que vem de geração em geração e que não pára, como a vida do homem. Quinta (19-22). Que o Céu e a terra louvem ao Senhor.
2Bendiz, ó alma minha, ao Senhor: E não queiras esquecer-te de todos os seus benefícios.
3O que perdoa tôdas as tuas maldades: O que sara tôdas as tuas enfermidades.
4O que redime da morte a tua vida: O que te coroa da sua misericórdia, e das suas graças.
5O que enche de bens o teu desejo: Renovar-se-á como a da águia a tua mocidade.[2]Como a da águia — COMO A DA ÁGUIA — A águia, como as demais aves, despe-se anualmente da sua plumagem, aparecendo depois da muda mais remoçada. O salmista escolheu a águia para têrmo de comparação, por ser a rainha das aves, pela sua fôrça e vivacidade.
6O Senhor que faz misericórdias: E justiça a todos os que sofrem agravos.
7Fêz conhecer a Moisés os seus caminhos, aos filhos de Israel as suas vontades.[3]Fêz conhecer a Moisés — FÊZ CONHECER A MOISÉS — Quando lhe mandou que fôsse apresentar-se a Faraó, para que deixasse sair o seu povo, e passar ao deserto. — P. Seio. AS SUAS VONTADES — Nas duas tábuas da sua Santíssima lei, que deu a Moisés, para que a intimasse ao povo de Israel. — P. Seio.
8É benigno, e misericordioso o Senhor: Magnânimo e de muita misericórdia.
9Não estará irado para sempre: Nem ameaçará eternamente.
10Não nos há tratado a nós segundo os nossos pecados: Nem nos tem pago segundo as nossas maldades.
11Pois quanto a elevação do céu está remontada sôbre a terra: Tanto êle tem firmado a sua misericórdia sôbre os que o temem.
12Quanto dista o Oriente do Ocidente: Tanto êle tem apartado de nós as nossas maldades.
13Como o pai se compadece dos filhos, assim se tem compadecido o Senhor dos que o temem:
14Porque êle já tem conhecido a fragilidade da nossa origem.
Lembrou-se que somos pó:
15O homem, cujos dias são como feno, assim se murchará como a flor do campo.
16Porque o espírito estará nêle de passagem, e êle não subsistirá: E não conhecerá dali em diante o seu lugar.
17Mas a misericórdia do Senhor está desde a eternidade e até à eternidade sôbre os que temem.
E a sua justiça sôbre os filhos dos filhos,
18para com aquêles que guardam a sua aliança:
E se lembram dos seus mandamentos, para observá-los.
19O Senhor tem prevenido no céu o seu trono: E o seu reino dominará sôbre todos.
20Bendizei ao Senhor todos os anjos dêle: Poderosos em virtude, que sois executores da sua palavra, para obedecer à voz das suas ordens.
21Bendizei ao Senhor tôdas as virtudes dêle: Vós, ministros seus, que fazeis a sua vontade;
22Bendizei ao Senhor tôdas as suas obras: Em todo o lugar do seu senhorio, bendiz, ó alma minha, ao Senhor.