Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 122

Salmo deprecatório. O profeta protestando em nome de todo o povo, que só de Deus espera o remédio, e alívio dos seus trabalhos, implora a sua misericórdia.

Cântico gradual.[1]Cântico gradualÊste salmo tem duas estrofes: na primeira (1-2) levanta os seus olhos a Deus para conhecer a sua vontade; na segunda (3-4) suplica a graça no momento de aflição.

1Levantei os meus olhos para ti, que habitas nos céus.

2Vêde que assim como os olhos dos servos estão pregados nas mãos de seus senhores: Como os olhos da escrava nas mãos de sua senhora: Assim os nossos olhos estão fitos no Senhor nosso Deus, até que tenha misericórdia de nós.

3Tem misericórdia de nós, Senhor, tem misericórdia de nós: Porque estamos mui fartos de desprêzo:

4Porque mui cheia está a nossa alma: Sendo objeto de escárnio para os ricos, e de desprêzo para os soberbos.

Todos os Livros Santos têm sido objeto de profundos estudos; acerca de cada um tem-se escrito muito, mas nenhum tem sido estudado tão profundamente, e dado ocasião a maior número de importantes trabalhos, como o Livro dos Salmos. Sobem a mil e duzentos os comentários ao Saltério; e fàcilmente se percebe pela sua grande importância, e pelo lugar proeminente que ocupam estes cânticos na Sagrada Liturgia. O sacerdote repete-os quotidianamente; os fiéis recitam-nos frequentes vezes, sendo por isto a parte mais vulgarizada e mais conhecida da Sagrada Escritura. Ignora-se o nome com que os hebreus designavam a coleção dos Salmos. Modernamente na Bíblia hebraica aparecem sob a designação de Thehillim, que significa os louvores. Os Setenta é que deram a denominação de Salmos. Segundo o testemunho constante dos autores antigos, o número dos Salmos é de cento e cinquenta. A versão grega, reproduzida pela Vulgata, reúne os Salmos 9 e 10, 114 e 115 do hebreu; divide o Salmo 116 em dois. A tradição judaica divide os Salmos em cinco livros. Davi é, sem dúvida alguma, o principal autor desta coleção, em que se revela como o maior poeta lírico de Israel. São composição sua quase dois terços dos Salmos. Doze Salmos têm o nome de Asaf, mestre de música; outros onze são atribuídos aos filhos de Core. O assunto dos Salmos resume-se em duas palavras: Deus e o homem. Deus na sua Infinita Grandeza, Onipotência, Onisciência, Bondade e Justiça; e o homem na sua fraqueza, abatimento, misérias, infelicidades e carência absoluta de socorro do Criador. A versão da Vulgata participa das imperfeições dos Setenta, mas estas diferenças não afetam a doutrina neles contida, nem alteram o sentido moral que nos Salmos se encerra. Pelos Salmos aprendemos a rogar o socorro do céu em nossas aflições, alentando-nos a esperança na proteção do céu. Ensinam-nos a amar a Deus, e a amar o próximo pelo amor de Deus.
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