Capítulo 49
1Salmo de Asaf. O Deus dos Deuses, o Senhor falou: E convocou a terra. Desde o oriente do sol até ao seu ocaso:[1]Salmo de Asaf — Êste salmo é destinado a inculcar a inutilidade dum culto puramente exterior. Tem três estrofes. Primeira (1-6) Descrição da aparição de Deus que vai falar. Segunda (7-15) Discurso de Deus aos fiéis, a quem recomenda que deseja um sacrifício que traduza a adoração do coração. Terceira (16-23) Discurso aos judeus pecadores, que esperam obter o perdão das suas culpas só pela oblação dos sacrifícios: Deus só perdoa aos que se arrependem.
2De Sião é que vem o resplendor da sua formosura.
3Deus virá manifestamente: Deus nosso, e não guardará silêncio. Fogo se incenderá na sua presença: E em roda dêle tempestade forte.[2]Deus virá manifestamente / Fogo se incenderá — Cheio de majestade, e de glória, e não como na sua primeira vinda, em traje humilde, e conhecido de mui poucos. — Calmet. — Fogo se incenderá: Um fogo abrasador precederá a sua vinda, que reduzirá tudo a cinza; e ao redor espantosas tempestades, que porão em consternação ao mundo. — P. Scio.
4Chamará de cima ao céu: E a terra para julgar ao seu povo.
5Congregai junto dêle os seus santos: Que compõem aliança com êle sôbre sacrifícios.[3]Que compõem aliança — O hebreu diz: "Que têm feito comigo ato com sacrifício." S. Jerônimo diz: Qui feriunt pactum meum. A nova aliança foi selada com o sangue do cordeiro. — P. Scio.
6E anunciaram os céus a justiça dêle: Porquanto Deus é o juiz.
7Ouve, povo meu, e eu falarei: Ouve, Israel, e testificarei contra ti: Deus, o teu Deus sou eu.[4]Ouve, povo meu — Aqui principia a falar o juiz até o fim do salmo. — Pereira.
8Não te arguirei sôbre os teus sacrifícios: Porque os teus holocaustos estão sempre adiante de mim.
9Não receberei de tua casa bezerros: Nem cabritos dos teus rebanhos.
10Porque minhas são tôdas as feras das selvas, os animais nos montes e bois.
11Conheço tôdas as aves do céu: E a formosura do campo comigo está.
12Se tiver fome não to direi a ti: Porque minha é a redondeza da terra, e a sua plenidão.
13Porventura comerei carnes de touros? ou beberei sangue de cabritos?
14Oferece a Deus sacrifício de louvor: E paga ao Altíssimo os teus votos.
15E invoca-me no dia da tribulação: Livrar-te-ei, e honrar-me-ás.
16Mas ao pecador disse Deus: Por que falas tu dos meus mandamentos, e tomas o meu testamento na tua bôca?
17Pôsto que tu tens aborrecido a disciplina: E postergaste as minhas palavras.
18Se vias um ladrão, corrias com êle: E com os adúlteros fazias sociedade.
19A tua bôca abundou de malícia: E a tua língua urdia enganos.
20Estando sentado falavas contra teu irmão, e punhas tropeço contra o filho da tua mãe:
21Isto fizeste, e eu me calei. Creste a iniquidade, que serei tal como tu: Argüir-te-ei, e to porei diante da tua cara.[5]Creste a iniquidade — Alguns o traduzem como advérbio: existimasti inique, cresce nèsciamente; e é mais conforme aos Setenta, onde se lê: extimuisti iniquitatem: e o hebreu: Creste que certamente seria eu semelhante a ti. — Pereira.
22Entendei isto os que vos esqueceis de Deus: Não suceda que vos arrebate, e não haja quem vos livre.
23Sacrifício de louvor me honrará: E ali o caminho, por onde lhe mostrarei a salvação de Deus.