Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 112

Deus olhando desde o Céu para os bons e humildes a fim de os proteger e amparar.

Aleluia.[1]AleluiaÊste salmo tem analogia com o cântico de Ana, 1 Rs 2 e com o Magnificat. Começa o Hallel que os judeus recitam nas três grandes festas do ano, na festa da Dedicação e nas Neomênias. Os outros salmos do Hallel são 113, 117 e 135, o qual é especialmente chamado o grande Hallel. Êste salmo é muito regular; tem três estrofes de fácil compreensão. A primeira convida a louvar a Deus; a segunda exalta a onipotência do Altíssimo. A terceira estabelece o contraste entre a Onipotência e a Bondade divina, louvando o Senhor que se humilha para sustentar e consolar os pequenos e os fracos.

1Louvai, ó meninos, ao Senhor:
Louvai o nome do Senhor.[2]Louvai, ó meninosLOUVAI, Ó MENINOS — O hebreu tem: "Louvai, servos do Senhor, louvai o nome do Senhor". A palavra pueri admite a significação de servos e de meninos: porém a maior parte dos Padres a interpreta neste último sentido, crendo que o salmo é como uma exortação aos meninos para que louvem o nome do Senhor: porque segundo Santo Agostinho: Dominus non nisi pueri laudant: Só os meninos é que louvam ao Senhor porque os soberbos não o sabem louvar, entendendo pelo nome de pueri os humildes e inocentes. O mesmo sentido está nas versões de Áquila, Symmaco e Teodocião.

2Seja bendito o nome do Senhor, desde agora para sempre.

3Desde o nascimento do sol até o seu ocaso, é digno de louvor o nome do Senhor.

4Excelso é o Senhor sôbre tôdas as gentes, e a sua glória é sôbre os Céus.

5Quem há como o Senhor nosso Deus, que habita nas alturas,

6e atende às coisas humildes no Céu e na terra?

7Êle levanta da terra ao desvalido, e tira da abjeção ao pobre:[3]E tira da abjeção ao pobreE TIRA DA ABJEÇÃO AO POBRE — Levanta do pó da terra aos humildes, como o fêz com Saul, Davi, José, e com outros muitos.

8Para o colocar com os príncipes, com os príncipes do seu povo.

9Êle faz que habite na casa a mulher estéril, alegre de se ver mãe de filhos.

Todos os Livros Santos têm sido objeto de profundos estudos; acerca de cada um tem-se escrito muito, mas nenhum tem sido estudado tão profundamente, e dado ocasião a maior número de importantes trabalhos, como o Livro dos Salmos. Sobem a mil e duzentos os comentários ao Saltério; e fàcilmente se percebe pela sua grande importância, e pelo lugar proeminente que ocupam estes cânticos na Sagrada Liturgia. O sacerdote repete-os quotidianamente; os fiéis recitam-nos frequentes vezes, sendo por isto a parte mais vulgarizada e mais conhecida da Sagrada Escritura. Ignora-se o nome com que os hebreus designavam a coleção dos Salmos. Modernamente na Bíblia hebraica aparecem sob a designação de Thehillim, que significa os louvores. Os Setenta é que deram a denominação de Salmos. Segundo o testemunho constante dos autores antigos, o número dos Salmos é de cento e cinquenta. A versão grega, reproduzida pela Vulgata, reúne os Salmos 9 e 10, 114 e 115 do hebreu; divide o Salmo 116 em dois. A tradição judaica divide os Salmos em cinco livros. Davi é, sem dúvida alguma, o principal autor desta coleção, em que se revela como o maior poeta lírico de Israel. São composição sua quase dois terços dos Salmos. Doze Salmos têm o nome de Asaf, mestre de música; outros onze são atribuídos aos filhos de Core. O assunto dos Salmos resume-se em duas palavras: Deus e o homem. Deus na sua Infinita Grandeza, Onipotência, Onisciência, Bondade e Justiça; e o homem na sua fraqueza, abatimento, misérias, infelicidades e carência absoluta de socorro do Criador. A versão da Vulgata participa das imperfeições dos Setenta, mas estas diferenças não afetam a doutrina neles contida, nem alteram o sentido moral que nos Salmos se encerra. Pelos Salmos aprendemos a rogar o socorro do céu em nossas aflições, alentando-nos a esperança na proteção do céu. Ensinam-nos a amar a Deus, e a amar o próximo pelo amor de Deus.
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