Capítulo 93
Salmo do mesmo Davi, Para o dia quarto da semana.[1]Para o dia quarto — PARA O DIA QUARTO — Isto é, para a quarta, dia em que ainda hoje é recitado na sinagoga. Devia ter sido composto durante a revolta de Absalão. Tem seis estrofes. Primeira (1-3). Invocação contra os maus. Segunda (4-7). Quadro da sua tirania. Terceira (8-11). Deus conhece os desígnios dos maus. Quarta (12-15). O povo será defendido pelo seu Deus. Quinta (16-19). No meio das adversidades o salmista não perdeu a confiança em Deus. Sexta (20-23). Deus castigará os maus. Cfr. Huyser. Revue des Sciences ecclésiastiques. 1878.
1O Deus das vinganças é o Senhor: O Deus das vinganças sempre obrou livremente.[2]Sempre obrou livremente — SEMPRE OBROU LIVREMENTE — Vinga o Senhor, principalmente os ultrajes feitos aos seus servos, e obra livremente de tal sorte que ninguém pode resistir à sua vontade, e não há coisa que possa opor-se aos seus desígnios. — Pereira.
2Exalta-te tu que julgas a terra: Dá a retribuição aos soberbos.
3Até quando os pecadores, Senhor: Até quando os pecadores se hão de gloriar:
4Pronunciarão, e falarão iniqüidade: E falarão todos os que obram injustiça?[3]E falarão — E FALARÃO — O hebreu tem: "Falarão coisas duras," palavras insofríveis: porque hás de tolerar que acrescentem sacrílegas blasfêmias, com que ultrajam o teu Augusto Nome, às violências com que nos tiranizam. — Pereira.
5Ao teu povo, Senhor, humilharam: E à tua herança maltrataram.
6À viúva, e ao estrangeiro mataram: E aos órfãos tiraram a vida.
7E disseram: Não o verá o Senhor, nem o saberá o Deus de Jacó.
8Entendei, insensatos do povo: E vós, néscios, entrai uma vez em prudência.
9O que plantou o ouvido, não ouvirá? Ou o que formou o ôlho, não verá?
10O que castiga as gentes, não repreenderá: Êle que ensina ao homem ciência?
11O Senhor conhece os pensamentos dos homens, que são vãos.[4]Que são vãos — QUE SÃO VÃOS — Aqui vãos se pode também tomar no sentido de pecaminosos, porque na Escritura vanitas se toma freqüentemente pelo pecado. — Pereira.
12Bem-aventurado o homem, a quem tu instruíres, Senhor: E na tua lei amestrares.
13A fim de o pôr em descanso nos dias maus: Entretanto que se abre a cova para o pecador.
14Porque o Senhor não repelirá o seu povo: Nem abandonará a sua herança.
15Até que a justiça venha a fazer juízo: E que estejam perto dela todos os que são retos de coração.[5]E que estejam perto dela — E QUE ESTEJAM PERTO DELA — O P. Calmet observa que as palavras hebraicas podem também trasladar-se mais claramente: "Até que o justo se assente em juízo, entre a reinar, e junto dêle todos os retos de coração." O que em sentido literal se aplica a Ciro, que devia restituir a liberdade aos prisioneiros, e destruir o império de Babilónia; e no sentido, mais sublime ao Messias desejado. — Pereira.
16Quem se levantará a meu favor contra os malignos? Ou quem estará comigo contra os que obram iniqüidade?
17Se não fôsse porque o Senhor me valeu: Quase que a minha alma houvera caído no inferno.
18Se dizia: Está vacilante o meu pé: A tua misericórdia, Senhor, me sustentava.
19Segundo as muitas dores que provou o meu coração, as tuas consolações alegraram a minha alma.
20Acaso tem união contigo a cadeira da iniqüidade: Quando tu nos impões mandamentos penosos?
21Êles irão à caça da alma do justo: E condenarão o inocente.
22Mas o Senhor me serviu de refúgio: E o meu Deus de socorro da minha infância.
23E fará cair sôbre êles a sua iniqüidade: E na sua malícia os destruirá: Destrui-los-á a êles o Senhor nosso Deus.