Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 125

Votos dos cativos de Babilónia suspirando pela liberdade, e em figura dêles a Igreja pede a sua liberdade por Jesus Cristo.

1Cântico gradual. Quando o Senhor fizer voltar os cativos de Sião: Seremos como cheios de consolação:[1]Cântico gradualTem duas estrofes: uma ocupa-se do passado, a outra do presente; naquela relembra o salmista a alegria da volta do cativeiro, nesta as tristezas do presente.

2Então se encherá de gôzo a nossa bôca: E a nossa língua de alegria. Então dirão entre as nações: Grandes coisas fêz o Senhor a favor dêles.

3Grandes coisas fêz o Senhor por nós: Seremos cheios de júbilo.

4Faze, Senhor, voltar os nossos cativos, como uma torrente no Meio-dia.[2]Torrente no Meio-diaAlguns querem que seja tôda e qualquer torrente, mas a opinião mais geral entende o Nilo, rio do Egito, que estava ao sul da Palestina. O sentido é êste: Permiti que voltem os nossos cativos, como ordenais que o Nilo volte para regar e fecundar a terra que ficou estéril durante o verão.

5Os que semeiam em lágrimas, com regozijo ceifarão.

6Andando iam e choravam, semeando suas sementes. Mas vindo virão com regozijo, trazendo os seus feixes.

Todos os Livros Santos têm sido objeto de profundos estudos; acerca de cada um tem-se escrito muito, mas nenhum tem sido estudado tão profundamente, e dado ocasião a maior número de importantes trabalhos, como o Livro dos Salmos. Sobem a mil e duzentos os comentários ao Saltério; e fàcilmente se percebe pela sua grande importância, e pelo lugar proeminente que ocupam estes cânticos na Sagrada Liturgia. O sacerdote repete-os quotidianamente; os fiéis recitam-nos frequentes vezes, sendo por isto a parte mais vulgarizada e mais conhecida da Sagrada Escritura. Ignora-se o nome com que os hebreus designavam a coleção dos Salmos. Modernamente na Bíblia hebraica aparecem sob a designação de Thehillim, que significa os louvores. Os Setenta é que deram a denominação de Salmos. Segundo o testemunho constante dos autores antigos, o número dos Salmos é de cento e cinquenta. A versão grega, reproduzida pela Vulgata, reúne os Salmos 9 e 10, 114 e 115 do hebreu; divide o Salmo 116 em dois. A tradição judaica divide os Salmos em cinco livros. Davi é, sem dúvida alguma, o principal autor desta coleção, em que se revela como o maior poeta lírico de Israel. São composição sua quase dois terços dos Salmos. Doze Salmos têm o nome de Asaf, mestre de música; outros onze são atribuídos aos filhos de Core. O assunto dos Salmos resume-se em duas palavras: Deus e o homem. Deus na sua Infinita Grandeza, Onipotência, Onisciência, Bondade e Justiça; e o homem na sua fraqueza, abatimento, misérias, infelicidades e carência absoluta de socorro do Criador. A versão da Vulgata participa das imperfeições dos Setenta, mas estas diferenças não afetam a doutrina neles contida, nem alteram o sentido moral que nos Salmos se encerra. Pelos Salmos aprendemos a rogar o socorro do céu em nossas aflições, alentando-nos a esperança na proteção do céu. Ensinam-nos a amar a Deus, e a amar o próximo pelo amor de Deus.
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