Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 126

Salmo didático. Toda a diligência e indústria humana é inútil em qualquer emprêsa, se não for acompanhada da bênção de Deus.

1Cântico gradual de Salomão. Se o Senhor não edificar a casa, em vão se tem pôsto ao trabalho os que a edificam. Se o Senhor não guardar a cidade, inutilmente se desvela o que a guarda.[1]De SalomãoUma parte dos exemplares dos Setenta não têm esta palavra. Êste salmo parece foi composto por Davi, e dirigido a Salomão para sua instrução. Outros querem que o mesmo Salomão o compusesse quando se estava edificando o templo. Não falta quem o atribua ao tempo de Neemias, quando se reedificava a casa do Senhor. Neste salmo, em um sentido sublime, se estabelece a necessidade da graça cristã.

2Em vão vos levantais vós antes de amanhecer: Levantai-vos depois que houverdes repousado, vós que comeis o pão de dor. Quando der sono aos seus amados:

3Eis-aqui a herança do Senhor, os filhos: Seu galardão, o fruto do ventre.[2]Seu galardãoAssim Calmet; e quanto à substância do sentido, todos os mais com êle. Porque todos reconhecem que o filii da Vulgata se deve entender em nominativo de aposição com hereditas, assim como fructus ventris, como um sinónimo de "filhos" segundo o estilo hebreu. — Pereira.

4Como setas na mão de um robusto: Assim são os filhos dos atribulados.

5Ditoso o varão que cumpriu o seu desejo sôbre êles mesmos: Não será confundido quando falar com os seus inimigos na porta.

Todos os Livros Santos têm sido objeto de profundos estudos; acerca de cada um tem-se escrito muito, mas nenhum tem sido estudado tão profundamente, e dado ocasião a maior número de importantes trabalhos, como o Livro dos Salmos. Sobem a mil e duzentos os comentários ao Saltério; e fàcilmente se percebe pela sua grande importância, e pelo lugar proeminente que ocupam estes cânticos na Sagrada Liturgia. O sacerdote repete-os quotidianamente; os fiéis recitam-nos frequentes vezes, sendo por isto a parte mais vulgarizada e mais conhecida da Sagrada Escritura. Ignora-se o nome com que os hebreus designavam a coleção dos Salmos. Modernamente na Bíblia hebraica aparecem sob a designação de Thehillim, que significa os louvores. Os Setenta é que deram a denominação de Salmos. Segundo o testemunho constante dos autores antigos, o número dos Salmos é de cento e cinquenta. A versão grega, reproduzida pela Vulgata, reúne os Salmos 9 e 10, 114 e 115 do hebreu; divide o Salmo 116 em dois. A tradição judaica divide os Salmos em cinco livros. Davi é, sem dúvida alguma, o principal autor desta coleção, em que se revela como o maior poeta lírico de Israel. São composição sua quase dois terços dos Salmos. Doze Salmos têm o nome de Asaf, mestre de música; outros onze são atribuídos aos filhos de Core. O assunto dos Salmos resume-se em duas palavras: Deus e o homem. Deus na sua Infinita Grandeza, Onipotência, Onisciência, Bondade e Justiça; e o homem na sua fraqueza, abatimento, misérias, infelicidades e carência absoluta de socorro do Criador. A versão da Vulgata participa das imperfeições dos Setenta, mas estas diferenças não afetam a doutrina neles contida, nem alteram o sentido moral que nos Salmos se encerra. Pelos Salmos aprendemos a rogar o socorro do céu em nossas aflições, alentando-nos a esperança na proteção do céu. Ensinam-nos a amar a Deus, e a amar o próximo pelo amor de Deus.
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